Derretimento do gelo nos polos redistribui a massa dos oceanos e desacelera levemente a rotação da Terra, alongando os dias. — Foto: Markus Trienke/Wikimedia
Os dias na Terra estão ficando um pouco mais longos — e a mudança climática pode ser a principal responsável por isso.
Um estudo publicado nesta semana na revista científica "Journal of Geophysical Research: Solid Earth" aponta que o aumento atual na duração dos nossos dias já é o maior registrado em pelo menos 3,6 milhões de anos.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da University of Vienna, na Áustria, e da ETH Zurich, na Suíça.
🧊 Segundo os pesquisadores, o fenômeno ocorre porque o derretimento acelerado das calotas polares e das geleiras está redistribuindo a massa de água no planeta, elevando o nível do mar e alterando levemente a rotação da Terra.
Ainda de acordo com o estudo, hoje, os dias estão se tornando mais longos a uma taxa de cerca de 1,33 milissegundo por século.
Pode parecer pouco, mas, em termos geológicos, essa velocidade de mudança é incomum.
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Mudança inédita na história recente
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Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores recorreram a um arquivo de fósseis de organismos marinhos microscópicos chamados de foraminíferos bentônicos.
A composição química desses fósseis permite reconstruir as variações do nível do mar ao longo do tempo e, a partir disso, calcular como a rotação da Terra mudou no passado.
Ao longo dos últimos 2,6 milhões de anos o crescimento e o derretimento de grandes calotas de gelo já tinham causado variações significativas no comprimento do dia.
Mas nenhuma delas se compara ao que está acontecendo agora. A única exceção foi há cerca de 2 milhões de anos, quando o ritmo de mudança chegou perto do atual, mas nunca o superou.
“A partir da composição química dos fósseis de foraminíferos, conseguimos inferir variações no nível do mar e, a partir delas, calcular matematicamente as mudanças correspondentes na duração do dia”, explicou o primeiro autor do estudo, Mostafa Kiani Shahvandi, da Universidade de Viena.
Para os pesquisadores, isso indica que a velocidade atual das transformações climáticas é excepcional na história recente da Terra.
Ainda de acordo com os cientistas, o aumento atual na duração do dia provavelmente está ligado principalmente às atividades humanas que impulsionam o aquecimento global.
E as projeções indicam que, até o final do século, o impacto das mudanças climáticas na rotação da Terra pode até superar o efeito gravitacional da Lua — que normalmente é o principal fator natural responsável por variações no ritmo de rotação do planeta.
Aliado a isso, embora as mudanças sejam pequenas — medidas em milissegundos —, elas podem ter efeitos importantes em áreas que dependem de medições extremamente precisas do tempo e da posição da Terra.
Entre elas estão sistemas de navegação espacial, satélites e tecnologias de geolocalização de alta precisão.
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