Após morte de Khamenei em ofensiva de EUA e Israel, Irã vive entre medo, bloqueios na internet e manifestações pró-regime
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Após morte de Khamenei em ofensiva de EUA e Israel, Irã vive entre medo, bloqueios na internet e manifestações pró-regime

Diante do cenário, para analistas, a expectativa de Washington de que haja uma queda do regime por causa de um levante interno é pouco provável

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    GERADO EM: 02/03/2026 - 20:23

    Morte de Khamenei em ataque gera caos e incertezas no Irã

    Após a morte do líder supremo do Irã, Khamenei, em ataques de EUA e Israel, o país enfrenta caos e incertezas. Analistas duvidam da queda do regime devido a um levante interno. Bombardeios deixaram 555 mortos, incluindo crianças em uma escola. Manifestações pró-regime e bloqueios na internet aumentam a tensão, enquanto opositores buscam mobilização. As prisões políticas também estão sob risco crescente.

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    • Sucessão: Após morte de Khamenei, regime iraniano busca demonstrar resiliência com sucessão rápida de líder supremo
    • Guerra no Oriente Médio: Acompanhe AO VIVO a cobertura completa

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  • Segundo autoridades iranianas, os bombardeios atingiram múltiplas províncias e deixaram 555 mortos e ao menos 747 feridos. Entre os mortos, estão 175 pessoas, a maioria provavelmente crianças, vítimas de um ataque a uma escola primária feminina no sul do Irã, na cidade de Minab, próxima ao estratégico estreito de Ormuz. O Irã afirma que o bombardeio foi de responsabilidade de Israel durante a operação de sábado, mas o Exército israelense nega. Até o momento, não há autoria confirmada do ataque e nem explicação oficial sobre o incidente.

    Enquanto parte da população do Irã se vê traumatizada pelos ataques e pela perspectiva de uma campanha militar mais longa — sobretudo após as declarações do presidente americano, Donald Trump, e do chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani —, o regime tem mobilizado apoiadores em manifestações nacionalistas em cidades como Teerã, com slogans de resistência e defesa da soberania, e declarações de "morte aos EUA".

    Vídeos nas redes sociais, verificados pelo jornal americano Washington Post, mostraram centenas de pessoas na capital nesta segunda-feira, protestando contra os ataques ao país.

    Perguntada sobre o medo de estar no meio de uma multidão, uma jovem responde ao repórter da TV estatal:

    — De jeito nenhum. Estou pronta para o martírio. Farei qualquer coisa.

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  • Ao mesmo tempo, relatos de celebrações pela morte de Khamenei contrastam com descrições de pessoas em choque e confusão geral, com supermercados esvaziados, estradas congestionadas por deslocamentos internos e uma sensação de que o país está mergulhado em um estado de emergência.

    "Por dentro, estamos em clima de festa", disse à agência americana Associated Press um homem no norte de Teerã, por mensagem de voz. "Mas, a menos que estejamos a salvo deles, as pessoas não comemoram publicamente porque eles são implacáveis ​​e ainda mais vingativos."

    Apesar dos apelos de Trump e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para que iranianos se levantem contra o regime, analistas acreditam que desencadear uma nova onda de protestos em massa não é algo simples, sobretudo nesse contexto atual. Segundo Esfandyar Batmanghelidj, professor da Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins, "a população não dispõe, sozinha, dos meios necessários para destituir a República Islâmica".

    — O regime mantém sua capacidade repressiva, e não deve haver dúvidas de que ele estaria disposto a usar a violência novamente contra os manifestantes — acrescentou Batmanghelidj à AP.

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  • Bloqueios na internet

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    Os relatos sobre o clima interno, porém, acabam sendo limitados, uma vez que, paralelamente ao impacto direto dos bombardeios, o país novamente ficou sob forte restrição nas comunicações, com a conectividade caindo para níveis extremamente baixos, cerca de 1% a 4% da normalidade — o bloqueio atual da internet já ultrapassou 48 horas, segundo a NetBlocks, que monitora o funcionamento da internet ao redor do mundo.

    Segundo o jornal britânico The Guardian, celulares seguem funcionando dentro do país, mas a conexão com o exterior foi praticamente cortada, deixando isolados quem não tem acesso a alternativas (como o Starlink). Para analistas, o bloqueio pode levar mais pessoas a permanecerem em casa por falta de informação sobre segurança, mas também provocar aglomerações justamente pela ausência de comunicação segura.

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  • Esse tipo de bloqueio já foi utilizado pelo governo iraniano em momentos de instabilidade interna, especialmente durante as grandes ondas de protestos antigovernamentais que tomaram o país nos últimos meses. Analistas ouvidos pelo jornal britânico The Guardian e o canal catari al-Jazeera apontam que a limitação da internet reduz a circulação de imagens dos ataques, dificulta a organização de atos públicos e restringe o contato com a imprensa internacional.

    — Trata-se de controle e até mesmo de retardar possivelmente o declínio [do regime] — disseram ao Guardian pesquisadores do Projeto Ainita e da Fundação Outline, que se concentram na infraestrutura da internet e no fornecimento de soluções contra a censura digital. — Porque se de repente você ceder e der a todos conexão e acesso a todos os outros, então eles poderiam muito facilmente se unir e terminar o trabalho, por assim dizer.

    Presos políticos

    Presos políticos

    Outra preocupação é a situação dos presos políticos e dos manifestantes detidos nos últimos meses. Organizações de direitos humanos há muito têm destacado com as condições precárias dessas prisões, que já tinham histórico de escassez de alimentos, cuidados médicos insuficientes e risco de abusos.

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  • "Apelamos a todas as partes para que se abstenham de quaisquer ações que possam pôr em risco a segurança de prisioneiros e detidos vulneráveis. As prisões são instalações protegidas pelo direito internacional humanitário em tempos de guerra. Os direitos, a segurança e o tratamento humano de todos os prisioneiros e detidos devem ser plenamente protegidos conforme o direito internacional", escreveu o Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI) nesta segunda-feira.

    Segundo a organização, há relatos de que a situação em Evin — conhecida por abrigar opositores políticos — ficou caótica após os ataques. Funcionários teriam fechado os portões e abandonado o local, enquanto o depósito permanece fechado, dificultando o acesso dos presos a itens básicos. Além disso, o CHRI afirma que a distribuição de alimentos foi interrompida em várias alas desde então.

    Com New York Times.

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