Pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram uma tecnologia que utiliza casca de jabuticaba e óleo de pequi para criar microesferas protetoras para probióticos. A inovação funciona como um "escudo", permitindo que esses micro-organismos benéficos à saúde resistam a ambientes ácidos e com alto teor de açúcar, onde normalmente não sobreviveriam.
Os probióticos são conhecidos por equilibrar a microbiota intestinal, fortalecer o sistema imunológico e melhorar a digestão. No entanto, sua aplicação em alimentos não lácteos, como sucos, polpas e geleias, sempre foi um desafio devido à sensibilidade dessas bactérias à acidez e variações de temperatura.
Com a nova técnica, os probióticos encapsulados conseguem permanecer viáveis por até 30 dias em matrizes vegetais. "A tecnologia permite que esses probióticos sejam veiculados por outros tipos de alimentos, ampliando as opções de consumo para além dos produtos lácteos", explica o professor Juliano Lemos Bicas, um dos inventores da tecnologia.
Biodiversidade brasileira
O processo utiliza ingredientes nativos e promove o aproveitamento sustentável de subprodutos da agroindústria, como as cascas que muitas vezes seriam descartadas. A combinação de métodos de encapsulação cria camadas de proteção que conferem cor natural e reforço nutricional aos alimentos.
A pesquisa, que durou seis anos, contou com a participação dos doutores Marina Felix Cedran e Fábio Júnior Rodrigues. Atualmente, o projeto está em fase de ampliação de escala para validar a viabilidade industrial.
A invenção já foi patenteada com o suporte da Agência de Inovação Inova Unicamp, que orienta os pesquisadores desde a proteção intelectual até o contato com empresas interessadas em levar o produto ao mercado. Além do impacto econômico, a iniciativa contribui para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, focando em saúde, bem-estar e consumo responsável.
*Com informações da repórter Lucimeire Ramalho e Jornal da Unicamp.