A busca por alívio no orçamento doméstico ganha um aliado com a portabilidade digital de crédito, ferramenta que permite ao consumidor transferir dívidas de uma instituição financeira para outra que ofereça condições mais vantajosas. A medida é uma alternativa para brasileiros que, como a autônoma Marina Albuquerque, enfrentam dificuldades com os juros rotativos do cartão de crédito, que podem atingir patamares excessivos em poucos meses.
Atualmente, o Brasil registra mais de 81 milhões de pessoas em situação de endividamento. Para esse público, a portabilidade surge como uma estratégia de renegociação sem a necessidade de deslocamento físico a agências bancárias.
Como funciona a migração digital
O processo ocorre inteiramente em ambiente virtual. No aplicativo da instituição financeira onde o cliente deseja centralizar suas informações, é possível visualizar e comparar as tarifas de juros de todas as instituições cadastradas. A modalidade abrange diferentes tipos de débitos, incluindo faturas de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais.
Para viabilizar essa comparação e o pedido de transferência, o consumidor precisa autorizar o Open Finance. Este sistema, regulamentado pelo Banco Central, permite o compartilhamento seguro de dados financeiros entre diferentes bancos, facilitando a identificação da melhor oferta disponível no mercado.
Cuidado com o Custo Efetivo Total (CET)
Apesar da facilidade digital, a migração exige análise técnica por parte do consumidor. Conforme destaca o economista Denilson Alencastro, o foco não deve estar restrito apenas à taxa de juros nominal. É fundamental observar o Custo Efetivo Total (CET), indicador que engloba todos os encargos da transação.
Uma vez formalizada a solicitação de portabilidade, o banco de origem tem o prazo de até cinco dias úteis para aprovar o pedido ou apresentar uma contraproposta para manter o cliente. O objetivo final é garantir que a nova prestação caiba no planejamento financeiro, evitando que o ciclo de endividamento se reinicie.