Suplemento para cérebro pode reduzir longevidade em homens, diz estudo
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Suplemento para cérebro pode reduzir longevidade em homens, diz estudo

Um estudo internacional publicado em outubro de 2025 na revista científica Aging sugere que níveis elevados de um aminoácido chamado tirosina podem estar associados a menor expectativa de vida, especialmente entre homens. A pesquisa utilizou dados do UK Biobank, um dos maiores bancos de dados de saúde do mundo.

Embora os resultados tenham chamado atenção por envolverem uma substância também vendida como suplemento para foco e desempenho mental, os próprios autores fazem um alerta: o estudo não avaliou diretamente a suplementação, mas sim os níveis naturais desses compostos no organismo ao longo da vida.

O que os pesquisadores investigaram

Os cientistas analisaram dois aminoácidos:

  • Tirosina
  • Fenilalanina (que é precursora da tirosina, ou seja, o corpo transforma fenilalanina em tirosina)
  • A motivação veio de pesquisas anteriores que mostram que dietas com restrição de proteína podem aumentar a longevidade em animais. Como as proteínas são formadas por aminoácidos, os pesquisadores quiseram entender se alguns deles poderiam influenciar diretamente o tempo de vida em humanos.

    Como o estudo foi feito

    A pesquisa combinou dois tipos de análise:

    Estudo observacional
    Foram avaliados 272 mil participantes do UK Biobank, acompanhados por cerca de 11 anos. Nesse período, quase 24 mil mortes foram registradas.

    Randomização mendeliana
    Técnica genética que usa variantes do DNA para estimar efeitos ao longo da vida, reduzindo interferência de fatores como renda, hábitos e doenças prévias.

    Essa combinação fortalece os resultados, porque permite comparar associação estatística e possível relação causal.

    O que foi encontrado

    Tirosina

    Pessoas com níveis mais altos de tirosina no sangue apresentaram maior risco de morte.

    Quando os pesquisadores analisaram a expectativa de vida estimada geneticamente:

    Homens com níveis mais elevados de tirosina tiveram redução média estimada de até 0,9 ano de vida.

    Em mulheres, o efeito não foi estatisticamente significativo após ajustes.

    Fenilalanina

    No estudo observacional, apareceu associada a maior mortalidade.

    Mas quando os cientistas ajustaram os dados para a influência da tirosina, a associação desapareceu.

    Isso indica que o efeito principal pode estar relacionado à tirosina, e não à fenilalanina.

    Por que isso pode acontecer?

    Os mecanismos ainda não são totalmente conhecidos, mas os pesquisadores apontam algumas hipóteses:

  • A tirosina está ligada à produção de neurotransmissores como dopamina, noradrenalina e adrenalina.
  • Pode influenciar resistência à insulina.
  • Pode interagir com hormônios sexuais, o que ajudaria a explicar a diferença observada entre homens e mulheres.
  • Em estudos com animais, restrição de tirosina esteve associada a maior longevidade.
  • Ainda assim, os autores destacam que são hipóteses biológicas que precisam de confirmação.
  • E os suplementos?

    A tirosina é vendida como suplemento para:

  • Aumentar foco e atenção
  • Melhorar desempenho mental sob estresse
  • Apoiar produção de dopamina
  • Mas o estudo não avaliou pessoas que tomam suplemento, nem analisou doses específicas ou efeitos de curto prazo.

    Os pesquisadores reforçam que a análise genética representa exposição ao longo de toda a vida — algo diferente de usar um suplemento por semanas ou meses.

    O que isso significa na prática?

    O estudo sugere que níveis cronicamente elevados de tirosina no organismo podem estar associados a menor longevidade, especialmente em homens.

    No entanto:

  • Não é possível afirmar que tomar suplemento de tirosina reduz a expectativa de vida.
  • Não há recomendação para suspender consumo de proteínas.
  • O efeito observado foi relativamente pequeno (menos de um ano estimado).
  • Pode haver não linearidade — ou seja, o risco pode estar concentrado apenas em níveis muito elevados.
  • Limitações

    Os próprios autores apontam pontos importantes:

  • A maioria dos participantes era de ascendência europeia.
  • Os aminoácidos foram medidos apenas uma vez.
  • Pode haver fatores genéticos ou ambientais ainda não mapeados.
  • A diferença entre homens e mulheres pode estar relacionada a poder estatístico limitado.
  • Próximos passos

    Os pesquisadores defendem novos estudos, especialmente:

  • Investigações em outras populações.
  • Estudos clínicos sobre dieta e níveis de tirosina.
  • Análises mais profundas sobre diferenças entre os sexos.
  • O estudo amplia o debate sobre como componentes específicos da dieta podem influenciar a longevidade. Ele aponta que a tirosina, um aminoácido presente em proteínas e também disponível como suplemento, pode ter relação com expectativa de vida — especialmente entre homens.

    Ainda assim, os resultados não indicam que a suplementação seja perigosa nem justificam mudanças imediatas na alimentação. Como em muitas áreas da ciência da longevidade, a mensagem central é de cautela e necessidade de mais pesquisas.

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