Flávio faz as pazes com Malafaia em almoço antes de ato na Paulista e tenta costurar apoio à pré-campanha
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Flávio faz as pazes com Malafaia em almoço antes de ato na Paulista e tenta costurar apoio à pré-campanha

Reaproximação ocorreu horas antes da manifestação; aliados do senador avaliam que o próximo passo é organizar uma visita à Assembleia de Deus Vitória em Cristo

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    GERADO EM: 02/03/2026 - 13:47

    Flávio Bolsonaro e Malafaia reatam laços visando 2026

    O senador Flávio Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia reestabeleceram relações durante um almoço, horas antes de um ato bolsonarista na Avenida Paulista. O encontro, considerado descontraído, visou superar divergências passadas, buscando fortalecer o apoio evangélico à pré-campanha presidencial de Flávio. Malafaia, que prefere outros nomes da direita para 2026, deixou em aberto a possibilidade de apoio futuro.

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    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o pastor Silas Malafaia almoçaram juntos, em São Paulo, duas horas antes do ato bolsonarista realizado neste domingo na Avenida Paulista. O encontro marcou uma reaproximação após semanas de ruídos provocados pela preferência pública do líder evangélico por outros nomes da direita na disputa presidencial de 2026.

    A conversa ocorreu em um hotel próximo ao local da manifestação, em clima descrito como “descontraído”. À mesa, além dos dois, estavam outros interlocutores do campo conservador, em meio a uma movimentação intensa de lideranças que chegavam à capital paulista para o ato.

    Segundo relatos, o encontro serviu para “virar a página” das divergências e restabelecer o canal direto entre os dois.

    Poucas horas depois, no alto do trio elétrico, diante de apoiadores, Flávio fez um gesto público ao pastor e pediu apoio à sua pré-candidatura ao Planalto, em tom de deferência.

    — Meu amigo pastor Silas Malafaia, porque muitas vezes as coisas não acontecem do jeito que a gente espera, mas eu acredito tanto que o que está acontecendo no Brasil é projeto de Deus que eu quero mais uma vez pedir a sua ajuda, os seus conselhos. Você é um professor para todos nós, a sua coragem nos inspira. Vamos juntos resgatar esse Brasil, pastor — afirmou.

    O aceno foi interpretado por aliados como calculado. A avaliação interna no PL era de que o distanciamento público com Malafaia poderia consolidar a leitura de que parte relevante do eleitorado evangélico não embarcaria com o senador.

    Ao GLOBO, Malafaia confirmou o encontro e disse que a conversa foi informal. Segundo ele, não houve negociação explícita de apoio eleitoral.

    — Ali foi um momento informal. Conversamos na hora do almoço, com outras pessoas na mesa. Não teve conversa sobre apoio. Ele que, lá em cima do trio, me chamou e pediu apoio — afirmou.

    O pastor tem declarado publicamente que vê outros nomes da direita com maior competitividade para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ainda assim, deixou aberta a porta para apoiar quem se consolidar no campo conservador.

    — Se Flávio se consolidar como candidato, evidentemente vou apoiar alguém da direita. Nunca fui omisso. O apoio virá na hora certa — declarou.

    No PL, a reaproximação é vista como parte de uma ofensiva mais ampla de Flávio junto à cúpula evangélica. Na sexta-feira, ele esteve com o pastor José Wellington Bezerra da Costa, da Assembleia de Deus de Belém, em agenda reservada.

    Integrantes do partido afirmam que o almoço com Malafaia foi o primeiro movimento para reconstruir confiança pessoal e sinalizar respeito político. O próximo passo seria organizar uma visita de Flávio à sede da igreja do pastor, no bairro da Penha, no Rio de Janeiro.

    Segundo interlocutores do senador, esta visita chegou a ser verbalizada por Flavio durante a conversa. Malafaia nega.

    O pastor, por sua vez, avaliou que Flávio adotou no ato uma postura alinhada ao ex-presidente, ao elogiar diferentes lideranças do campo conservador e evitar ataques internos.

    — Ele cumpriu a cartilha do pai dele. Falou bem do Zema, me chamou lá na frente. Foi muito humilde, me chamou de professor. Isso me surpreendeu — elogiou.