O governador já anunciou que deixará o Executivo estadual para concorrer ao Senado, apoiando Flávio Bolsonaro à Presidência
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GERADO EM: 02/03/2026 - 13:53
Governador Cláudio Castro defende operação policial letal como "higienização" e lança candidatura ao Senado
O governador Cláudio Castro descreveu como "higienização" a operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em mais de 115 mortes em 2022. Durante evento de entrega de viaturas, Castro destacou investimentos em segurança e afirmou que sua gestão priorizou o direito de ir e vir, combatendo o "estado paralelo" das facções. Ele também abordou o cenário político, apoiando Flávio Bolsonaro à presidência e lançando candidatura ao Senado.
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A megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou mais de uma centena de mortos em outubro do ano passado, foi classificada nesta segunda-feira pelo governador Cláudio Castro (PL) como uma ação que “higienizou mais de 115 vagabundos”. A declaração foi feita durante cerimônia de entrega de viaturas e bicicletas ao programa Segurança Presente, quando o chefe do Executivo fez um discurso de balanço de gestão na área de segurança pública. Cláudio Castro já se lançou pré-candidato ao Senado pelo PL, partido do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República.
— Nosso maior legado é que o Rio de Janeiro hoje tem lado. As pesquisas de opinião mostraram que 90% das pessoas que moram lá (na Penha e o Alemão) foram favoráveis à operação policial que higienizou mais de 115 vagabundos. Se pudesse ter sido mais, teria sido. Pelo menos foram 115 a menos subjugando a população — disse o governador.
Ao longo do discurso, Castro afirmou que não celebra mortes, mas sustentou que a ação teria retirado criminosos que, segundo ele, impunham barricadas, restringiam a circulação de moradores e controlavam a rotina das comunidades. O governador declarou que a polícia representa “a última fronteira entre a anarquia e o Estado”.
O chefe do Executivo reiterou que o Estado não pode admitir o que chamou de “estado paralelo”, descrevendo como inconstitucional a presença ostensiva de traficantes armados impondo regras em territórios dominados por facções. Para ele, preservar a liberdade de circulação é o “pai dos direitos” e a base da democracia.
— Se o Estado se acovarda, quem ocupa é o crime. E quando o crime ocupa, ele cobra taxa, ele impõe silêncio, ele decide quem vive e quem morre. A nossa obrigação é não permitir que o medo vire regra. Segurança pública não é espetáculo, é garantia de liberdade para quem acorda às cinco da manhã e quer apenas trabalhar — afirmou.
A fala ocorreu durante a entrega de 140 viaturas e 100 bicicletas elétricas às 59 bases do Segurança Presente no estado. No evento, o governador destacou investimentos anuais de R$ 16 bilhões na segurança pública, citou a recomposição do efetivo da Polícia Civil — que, segundo ele, passou de cerca de 7 mil para quase 11 mil agentes — e mencionou reajustes salariais que teriam se aproximado de 40% para as forças de segurança. Também afirmou que batalhões foram reformados, que cada policial passou a ter armamento e colete próprios e a frota foi renovada com a compra de centenas de viaturas.
Castro atribuiu os resultados ao que chamou de “ciclo virtuoso” da segurança pública, baseado em infraestrutura, investimento e respaldo político às forças policiais. Disse ainda que a mudança de percepção da população em relação à política de segurança representaria uma virada de narrativa ao longo de sua gestão.
Balanço e sucessão
Balanço e sucessão
Em tom político, o governador associou a condução da segurança pública a um grupo que, segundo ele, “tem lado” e que estaria alinhado a uma agenda iniciada em 2018, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele também fez menções ao cenário eleitoral futuro, afirmando que espera deixar um estado “muito melhor” do que o recebido em 2019 e que o legado construído não se perderá no próximo ciclo, caso seu candidato ao governo, o deputado estadual Douglas Ruas (PL), seja eleito.
— Segurança pública é um dos programas que mais entrega resultados no estado. Temos mandados cumpridos, criminosos presos e ações que impedem que crimes aconteçam simplesmente pelo fato de o agente estar presente — destacou o governador. — O Douglas é um homem sério, de família, que conhece o estado e tem uma base eleitoral forte em São Gonçalo, Niterói, Maricá e Itaboraí. Tenho certeza de que ele tem tudo para ser competitivo e dar continuidade ao que construímos.
No balanço apresentado, Castro destacou avanços em diferentes áreas do estado, como segurança pública, infraestrutura, geração de emprego e programas sociais. Segundo ele, o governo conseguiu manter investimentos consistentes mesmo em um período de restrições orçamentárias, garantindo obras em andamento, melhorias na água e saneamento, expansão de projetos de combate à fome e fortalecimento da governança digital, colocando o Rio de Janeiro entre os estados mais eficientes do país.
— Conseguimos recuperar praias que estavam impróprias há décadas, aumentar o número de empresas abertas, gerar empregos e avançar em programas sociais de combate à fome. Cada investimento feito buscou resultados concretos para a população, mostrando que é possível governar de forma eficiente sem descuidar das contas públicas — disse.