Presidente do BRB apresenta a deputados do DF quadro de dificuldades do banco sem projeto de socorro
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Presidente do BRB apresenta a deputados do DF quadro de dificuldades do banco sem projeto de socorro

Segundo Nelson de Souza, proposta não é "cheque em branco" para gasto

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    GERADO EM: 02/03/2026 - 14:15

    Presidente do BRB alerta sobre risco de paralisação sem socorro financeiro

    O presidente do BRB, Nelson de Souza, alertou os deputados do Distrito Federal sobre a possível paralisação do banco caso o projeto de socorro do governo de Ibaneis Rocha não seja aprovado. O plano visa fortalecer o capital do BRB, afetado por ativos problemáticos do Banco Master. A proposta, que inclui aumento de capital e outras medidas, enfrenta resistência na Câmara Legislativa e é crucial para a continuidade de serviços essenciais do banco.

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    O presidente do BRB, Nelson de Souza, disse aos deputados do Distrito Federal que o banco pode parar de funcionar caso o projeto de socorro apresentado pelo governo de Ibaneis Rocha (MDB) não seja aprovado pela Câmara Legislativa. Nesse caso, Souza afirmou que teria consequências negativas para pagamento de programas sociais, de entrega de medicamentos, de operações de crédito imobiliário e paralisação de empréstimos de servidores do DF.

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  • O projeto aprovado pelo governo do ente federativo prevê um conjunto de possibilidades para fortalecer o capital do banco em meio aos prejuízos causados pelos ativos herdados do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central. Os ativos foram recebidos em troca da carteira de crédito suspeita de fraude, que somava R$ 12,2 bilhões. O BC indica, no entanto, que o BRB deve ter perda de R$ 5 bilhões.

    Dentre as opções no projeto, estão a autorização para aporte direto do GDF e a obtenção de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou junto a bancos. Além disso, o governo oferece nove imóveis públicos que podem ser transferidos ao banco, vendidos para usar o ganho financeiro em um aporte na instituição, colocados em um fundo imobiliário ou usados como garantia em um eventual empréstimo.

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    Depende dessa aprovação a capitalização que a administração do banco anunciou na semana passada. A proposta, que será votada dia 18, prevê um aumento do capital social de até R$ 8,8 bilhões, por meio da emissão de 1,675 bilhão de ações ordinárias.

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  • Há, no entanto, resistência de deputados da base e da oposição com o projeto. Na apresentação aos parlamentares, Nelson de Souza negou que a proposta seja um "cheque em branco" para o governo. Segundo ele, o projeto cria instrumentos legais para que seja assegurada a sobrevivência do banco com estabilidade e solidez.

    O presidente do BRB disse que, de outro lado, se o projeto não for aprovado, o banco para de funcionar do ponto de vista regulatório. Ele ainda listou as consequências para políticas públicas do Distrito Federal.

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  • De acordo com Souza, a paralisação poderia provocar a interrupção imediata das transferências de renda dos programas sociais operados pelo banco, que impactam cerca de 400 mil beneficiários, interrupção da entrega de medicamentos de alto custo e paralisação da bilhetagem do transporte público do DF. Ele também mencionou o risco de suspensão das operações de crédito imobiliário, afetando 650 mil trabalhadores, assim como da interrupção do crédito rural, para micro e pequenas empresas e pros servidores públicos distritais. Por fim, citou que 6.800 empregos podem ser afetados.

    O presidente do BRB disse ainda que o "fim" do banco pode gerar risco em todo o sistema financeiro, questionou a quem interessa a quebra da instituição e fez um apelo para que os deputados ajudem a salvá-la.

    Segundo relatos de participantes da reunião, o presidente do BRB não trouxe números para explicar a real situação do banco após as operações com o Master. O deputado Gabriel Magno (PT) afirmou que o executivo disse que o BRB é vítima e que os R$ 6,6 bilhões em financiamento presentes no projeto seriam para manter o "BRB de pé".

    — O presidente disse que os R$ 6,6 bilhões não são para resolver todo problema Master, é para ficar de pé, é para não quebrar. Então é uma solução paliativa.

    Magno disse ainda que o presidente do BRB não explicou qual caminho que o governo e a instituição devem trilhar para resolver o problema. Segundo ele, Souza falou da possibilidade de colocar os imóveis públicos em um fundo, mas também é possível que haja venda direta.

    O deputado ainda afirmou que o secretário de Economia do DF, Daniel Carvalho, reconheceu que, em última instância, pode ter um aporte do Tesouro Distrital. Com o cenário em aberto, o parlamentar afirmou que a Casa está reticente em dar aval ao projeto.

    — Do jeito que está o projeto de lei com tantas incongruências, com tantas aberturas, traz o problema para a Câmara Legislativa. Essa é a grande preocupação dos deputados.

    Magno também contou que o presidente do BRB disse que não há risco de federalização, mas que há uma "ameaça de privatização", mas não deixou claro da onde vem. Segundo o deputado, Souza contou que mantém conversas com a Faria Lima, mas que não vendeu nenhum dos ativos recebidos do Master.

    A reunião começou de manhã e deve se estender por toda tarde desta segunda-feira. Até 13h, apenas quatro deputados dos 15 inscritos fizeram perguntas. Estava prevista inicialmente uma segunda reunião apenas com os parlamentares para discutir o encaminhamento do projeto, mas foi adiada para esta terça-feira.

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