Casca da fruta para preservar o solo, o projeto que tirou o 2º lugar no Jovem Cientista no Ensino Médio
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Casca da fruta para preservar o solo, o projeto que tirou o 2º lugar no Jovem Cientista no Ensino Médio

Iniciativa de Beatriz Vitória da Silva usa a fruta-do-conde para filtrar o líquido tóxico extraído durante a produção da farinha de mandioca

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    GERADO EM: 27/02/2026 - 21:22

    Jovem de Carnaíba conquista prêmio com filtro sustentável de manipueira

    Beatriz Vitória da Silva, de Carnaíba (PE), conquistou o segundo lugar no Prêmio Jovem Cientista com o projeto Filtropinha. A iniciativa utiliza cascas de fruta-do-conde para filtrar a manipueira, líquido tóxico da produção de farinha de mandioca, reduzindo a poluição e o consumo de água. A ideia, nascida de uma aula de sustentabilidade, mostrou-se eficaz e econômica, abrindo portas para a jovem no campo da pesquisa.

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    A iniciativa propõe o uso de cascas de fruta-pinha, ou fruta-do-conde, para filtrar a manipueira — líquido tóxico extraído da mandioca na produção de farinha — reduzindo a poluição do solo e o consumo de água nas casas de farinha da região.

    • Benefício comprovado: Jovem Cientista abre portas para carreira em pesquisa
    • Nas inscrições: Alunos da rede pública se destacam

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  • Nas inscrições: Alunos da rede pública se destacam
  • A ideia surgiu em 2024, durante uma aula da disciplina Construções e Invenções Sustentáveis, quando o professor Gustavo Santos Bezerra desafiou a turma a criar soluções para problemas locais. Beatriz e os colegas Ângela Rafaela, Luana Noêmia e Eduardo da Silva decidiram investigar a degradação do solo ao redor da casa de farinha do Travessão do Caroá. Ao analisarem a manipueira, constataram que o resíduo contém ácido cianídrico e pode ser até 25 vezes mais poluente que o esgoto comum quando descartado sem tratamento, além de causar mal-estar nos trabalhadores.

    Na prática, o problema também envolve alto consumo de recursos. Na casa de farinha, a lavagem das raízes de mandioca pode consumir de 15 mil a 20 mil litros de água para produzir entre 250kg e 350kg de farinha. O Filtropinha inclui a fabricação de um filtro com as cascas da fruta, material com potencial de absorver a carga poluente da manipueira e permitir o reaproveitamento mais seguro da água no processo produtivo.

    Abundância na comunidade

    Abundância na comunidade

    Observando a própria comunidade, os estudantes encontraram na abundância da fruta-pinha a matéria-prima para o filtro. A porosidade da casca mostrou potencial de absorção, confirmado em testes laboratoriais. Mas, durante o desenvolvimento, o grupo enfrentou outro desafio: o alto custo das fitas usadas para medir a concentração de ácido cianídrico, que variam entre R$ 600 e R$ 800.

    Como alternativa, recorreram a um experimento com sementes de alface para testar a eficácia do experimento. Enquanto a germinação das sementes em manipueira não filtrada foi de apenas 20%, no líquido tratado pelo filtro, chegou a cerca de 80%. O protótipo final, feito com farinha e carvão ativado das cascas, custa menos de R$ 5 e apresentou alta capacidade de redução da toxicidade. A pesquisa também venceu o prêmio Criativos Escola + Natureza, do Instituto Alana, e levou a equipe à COP30, em Belém.

    — Nossas atitudes de hoje estão transformando o futuro. Um futuro em que os trabalhadores das casas de farinha não precisem mais se preocupar com problemas do passado, como o descarte da manipueira — afirma. — Saber ancestral e ciência podem caminhar juntos.

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