Pintura do Juízo Final, de Michelangelo, passa por restauração para remover resíduo deixado por visitantes da Capela Sistina
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Pintura do Juízo Final, de Michelangelo, passa por restauração para remover resíduo deixado por visitantes da Capela Sistina

Intervenção busca recuperar cores originais da obra; limpeza deve ser concluída antes da Páscoa

Por AFP — Cidade do Vaticano

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    GERADO EM: 28/02/2026 - 12:02

    Restauração do Juízo Final de Michelangelo visa cores originais

    O afresco do Juízo Final, de Michelangelo, na Capela Sistina, está em restauração para remover resíduos esbranquiçados deixados por visitantes, visando recuperar suas cores originais. A intervenção, a maior em 30 anos, deve ser concluída antes da Páscoa. A limpeza utiliza água destilada para remover lactato de cálcio. A obra é parte de uma reforma mais ampla da capela, com apoio de doadores dos EUA.

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    O famoso afresco do Juízo Final, de Michelangelo, na Capela Sistina, passa por sua maior reforma em mais de três décadas para remover um leve resíduo esbranquiçado deixado por visitantes suados.

    A restauração da obra-prima do século XVI, no Vaticano, tem como objetivo trazer novamente à luz as cores vibrantes da pintura, que mede quase 14 metros (46 pés) de altura.

    Os visitantes ainda poderão acessar a Capela Sistina durante o processo, mas o afresco ficará oculto por um grande andaime coberto com uma reprodução da obra.

    A diretora dos Museus do Vaticano, Barbara Jatta, descreveu a remoção da camada branca como “um pouco como uma catarata”, durante uma visita guiada à imprensa no sábado, referindo-se ao projeto que deve ser concluído antes da Páscoa.

    Jatta afirmou que a camada cobria “toda a superfície de 180 metros quadrados” da obra.

    Os Museus do Vaticano informaram em comunicado que a substância era “invisível a olho nu”, mas havia “atenuado” as cores originais da pintura.

    O afresco está sendo limpo com água destilada aplicada através de uma camada de papel japonês para remover a substância, identificada como lactato de cálcio.

    “A transpiração aumentou nos últimos anos devido às mudanças climáticas. Através da transpiração, produzimos ácido lático... que se transforma em lactato de cálcio”, disse Fabio Morresi, chefe de pesquisa científica dos Museus do Vaticano.

    Funcionários dos Museus do Vaticano disseram que medidas já haviam sido adotadas para reduzir o número de visitantes presentes ao mesmo tempo na Capela Sistina, local onde cardeais se reúnem em conclaves fechados para eleger novos papas.

    Parte de uma revisão mais ampla

    Parte de uma revisão mais ampla

    Morresi descreveu a diferença no afresco antes e depois do tratamento como “dois mundos diferentes” e afirmou que trabalhar na obra-prima foi um processo “emocional”.

    O Juízo Final, pintado entre 1536 e 1541, é a peça central da Capela Sistina e está localizado logo atrás do altar.

    Diz-se que o então papa Papa Paulo III ficou tão impressionado com a obra que se ajoelhou e pediu perdão divino ao vê-la pela primeira vez.

    Das 391 figuras do afresco, muitas aparecem nuas ou seminuas, o que causou escândalo na época.

    Muitas foram posteriormente cobertas com panos pintados sobre as figuras originais após a morte de Michelangelo.

    Algumas dessas coberturas foram removidas em 1994, durante a última grande restauração.

    O projeto atual está sendo patrocinado por doadores dos Estados Unidos e faz parte de uma ampla reforma da Capela Sistina iniciada em 2010.

    Normalmente, os trabalhos são realizados quando a Capela Sistina está fechada aos visitantes e sem a necessidade de andaimes, mas responsáveis pelos Museus Vaticanos disseram que isso não seria possível para o Juízo Final devido à dimensão da obra.

    Morresi afirmou que a restauração tem um significado pessoal para ele, já que foi contratado em 1988, quando a última grande reforma da Capela Sistina estava apenas começando, e agora está próximo da aposentadoria.

    “É maravilhoso... Tem um pedaço de mim aqui dentro”, disse ele.