Intérprete da personagem 'pitchula' no videoclipe da canção 'Pelados em Santos', Nereide Nogueira repassa curiosidades da gravação e detalha, pela primeira vez, história de amor com fim trágico: 'Ligação muito forte'
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GERADO EM: 27/02/2026 - 18:18
"Pitchula de 'Pelados em Santos' relembra flerte com baixista dos Mamonas Assassinas"
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Pois bem, nos bastidores de gravação do videoclipe, uma faísca se acendeu entre Nereide e "Samuca", como ela logo o passou a chamar. O artista quis saber detalhes da câmera fotográfica que ela havia levado para o set a fim de registrar lembranças do trabalho. Os dois se aproximaram, trocaram uma longa prosa e compartilharam, por que não?, seus números de telefone. Por mais ou menos um ano, a dupla manteve contato à distância de maneira disciplinada: ligavam-se de duas a três vezes por semana para papear. Sempre, sempre, sempre.
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Em meio às rotineiras chamadas telefônicas, brotou uma "paixão platônica mútua", como repassa Nereide (e aqui vale lembrar: à época, não havia celulares, videochamadas, redes sociais, nada disso). Os dois queriam, e muito, dar chão para o amor em constante flutuação. Mas a agenda profissional dos Mamonas Assassinas, no auge do sucesso, inspirava uma equação complicada — de domingo a domingo, o grupo se desdobrava em apresentações em diferentes estados. Nereide também tinha a rotina atribulada e se dividia entre uma oficina para atores novatos na TV Globo, as gravações do programa "Papa-tudo", na mesma emissora, e a realização de campanhas publicitárias. Até que surgiu uma data compatível para ambos se verem tête-à-tête.
Relembre a trajetória dos Mamonas Assassinas
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Mamonas Assassinas. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
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A trajetória dos Mamonas começou longe dos holofotes, quando Sérgio Reoli foi apresentado ao guitarrista Bento Hinoto. — Foto: Marco Antônio Teixeira
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Samuel, Sérgio e Bento formaram o grupo Ponte Aérea, que depois se tornaria Utopia e, em seguida, Mamonas Assassinas. — Foto: Reprodução
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O grupo convidou alguém da plateia para assumir o microfone. Foi quando Dinho subiu ao palco e cantou com os músicos pela primeira vez. — Foto: Foto Monique Cabral / Agência O Globo
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Dinho começou a cantar em corais de igreja ainda na infância. Ele foi o principal vocalista e um dos letristas dos Mamonas. — Foto: Foto Marco Antonio Teixeira / Agência O Globo.
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Bento Hinoto foi o guitarrista dos Mamonas Assassinas e um dos fundadores do grupo Ponte Aérea, que viria a ser o Utopia e, em seguida, os Mamonas. — Foto: Reprodução/ Instagram
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Um dos fundadores do grupo Utopia, que originou os Mamonas, Sérgio Reoli foi baterista da banda e irmão mais velho do baixista Samuel Reoli. — Foto: Reprodução/ Instagram
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Samuel Reoli foi Samuel foi baixista dos Mamonas Assassinas e irmão mais novo do baterista Sérgio Reoli. — Foto: Reprodução/ Instagram
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Júlio Rasec foi tecladista e o principal compositor dos Mamonas.. — Foto: Reprodução/ Instagram
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Em 1995, os Mamonas gravaram seu primeiro e único álbum homônimo da banda com a EMI.— Foto: Reprodução
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Com letras repletas de deboche, incorreções políticas e expressões de duplo sentido, o álbum foi um sucesso e teve cerca de 1,8 milhão de cópias vendidas. — Foto: Divulgação
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No auge: os Titãs e os Mamonas Assassinas — Foto: Reprodução do encarte do livro "A vida até parece uma festa", de Hérica Marmo e Luiz André Alzer.
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Os Mamonas com a cantora Elba Ramalho — Foto: MONIQUE CABRAL - GDI / AGÊNCIA O GLOBO
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Os Mamonas Assassinas morreram em um acidente aéreo na Serra da Cantareira em 1996 — Foto: José Luís da Conceição/Agência O GLOBO
— Perdi um amigo, perdi uma paixão. Com o Samuel, a ligação era muito forte. Às vezes ele me ligava só para dizer: "Oi, mamônica. Oi, minha musa da hora". Ou então apenas falava: "Tô com saudade. Liguei só para ouvir sua voz" — recorda-se Nereide, ao discorrer, pela primeira vez, sobre a comovente história de amor. — Foi difícil de cair a ficha, sabe? Fiquei muito triste mesmo.
— Apesar do jeito maluco dele, Samuel era muito carinhoso. Não sei se o relacionamento iria para frente. Mas a gente iria ficar junto, sim. Pelo telefone, eu percebia que ele estava apaixonado por mim. E eu também estava me apaixonando, sabe? — diz. — Rolava um romance ali, né? Nunca dei um beijo nele. Nada. Mas a gente tinha esse flerte. Era uma paixão platônica. E, pelo andar de nossas conversas, se realmente tivesse rolado o churrasco, a gente ia ficar junto. Mas infelizmente (ela se interrompe)... É um amor que hoje guardo com muito carinho.
'Coisa do destino'
'Coisa do destino'
— Acredito muito em destino. Era para esse trabalho ter acontecido mesmo, né? Se eu não tivesse encontrado essa minha amiga, se a foto não tivesse caído no chão... Imagina! Foi muita coincidência mesmo. Coisa do destino — comenta Nereide, que trabalhou, na década de 1990, como assistente de palco de Gugu Liberato, no SBT, e apresentou o programa "SuperTécnico", na Band, ao lado do jornalista Milton Neves.
— Teve um dia que cheguei para o meu cabeleireiro e falei: "Tira o louro. Não quero mais tinta". Se voltarei a pintar, não sei... Mas estou super feliz assim, com os fios naturais — ressalta ela, aos 53 anos. — Estou me achando bonita, sabe? E o mais importante é isso.
Diferentemente de 30 anos atrás, ninguém mais a reconhece na rua espontaneamente pelo clipe dos Mamonas Assassinas. De Samuel Reoli e dos outros quatro integrantes da banda, a feição dos músicos segue intacta exatamente da mesma forma na memória de Nereide.
— Fiquei passada com as fotos. Os meninos da banda pegaram minha câmera e fizeram fotos com a cueca enfiada na bunda e várias outras brincadeiras. Na última imagem, eles aparecem apontando para a câmera com o olhar do tipo: "Te peguei, hein!" — ela se recorda. — Infelizmente nenhum deles viu essas fotos. Eles veriam no tal churrasco em Sorocaba. O Samuel estava ansioso para vê-las. Hoje isso virou uma relíquia de um momento de uma grande realização para todos eles.