Consórcio da Zetta infraestrutura e mais quatro empresas vence leilão para construir Novo Centro Administrativo
tecnologia

Consórcio da Zetta infraestrutura e mais quatro empresas vence leilão para construir Novo Centro Administrativo

As empresas irão construir e gerir o complexo por 30 anos, e o investimento total será de R$ 6 bilhões, divididos entre iniciativa privada e pública; proposta vencedora ofereceu 9,62% de desconto na contrapartida mensal, que gira em torno de R$ 76,6 milhões

  • Facebook
  • Twitter
  • BlueSky
  • Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

    GERADO EM: 26/02/2026 - 11:37

    Zetta Infraestrutura vence leilão para Novo Centro Administrativo de SP

    O consórcio liderado pela Zetta Infraestrutura venceu o leilão para construir o Novo Centro Administrativo em São Paulo, com investimento de R$ 6 bilhões. O projeto será uma parceria público-privada e prevê a transferência da sede do governo para os Campos Elíseos. Com desconto de 9,62%, a contraprestação mensal será de cerca de R$ 69,2 milhões. A obra, com sete edifícios e 22 mil funcionários, visa revitalizar a área e estará pronta em 2030.

    CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO

    O governo escolheu o consórcio Consórcio MEZ-RZK Novo Centro, formado pelas empresas Zetta infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK empreendimentos Imobiliários e Iron Propert para tocar o projeto do Novo Centro Administrativo, que visa a transferir a sede da gestão estadual do Morumbi para os Campos Elíseos, no Centro da capital paulista. As empresas irão construir e gerir o complexo por 30 anos, e o investimento total será de R$ 6 bilhões, divididos entre iniciativa privada e pública.

    O consórcio deu uma proposta de 9,62% de desconto sobre a contraprestação mensal, que estava prevista em torno de R$ 76,59 milhões por mês — o que totaliza cerca de R$ 69,2 milhões por mês de contrapartida.

    A nova sede foi uma promessa de campanha do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o projeto passou por diversas modificações até enfim sair do papel. A expectativa é que a mudança de endereço seja realizada a partir de 2031.

    Na segunda, dois consórcios haviam apresentado propostas para construir o complexo, por meio de Parceria Público Privada (PPP). A outra proposta foi do consórcio formado pela Acciona e pela Construcap, que ofereceu um desconto de 5%.

    Com o custo de R$ 6 bilhões divididos entre o estado e a iniciativa privada, o complexo terá sete edifícios, praça, área de 25 mil metros quadrados para comércios, e incluirá também o restauro de 17 edifícios tombados e a remoção do Terminal Princesa Isabel. O espaço, que hoje atende 16 linhas de ônibus, deverá ser substituído por um outro a ser construído ao lado da Estação da Luz.

    O governo estadual estima aportar R$ 3,4 bilhões no projeto, e o restante do recurso para a construção será desembolsado pelo consórcio. A contraprestação começará a ser paga quando os prédios começarem a funcionar. O novo centro vai reunir 22 mil funcionários, que hoje estão espalhados por 40 edifícios em várias regiões da cidade. A concessionária vencedora ficará responsável pela gestão administrativa e manutenção do estado, e também pela destinação dos espaços comerciais que haverá no complexo.

    Para isso, entretanto, serão necessárias desapropriações e desocupações. O governo estima que ao menos 600 famílias devem ser removidas. Em alguns casos, haverá desapropriação de comércios e residências mediante a indenização, mas em outros, no caso de pessoas em situação de vulnerabilidade ou em imóveis irregulares, o governo afirma que garantirá oferta habitacional aos afetados.

    Na entrada da B3, nesta quinta, havia grupos de luta por moradia e de coletivos habitacionais do Centro de São Paulo protestando contra o projeto, que retirará moradores do quatro quadras de Campos Elíseos, no entorno das avenidas Rio Branco e Duque de Caxias.

    Tarcísio chegou a ser abordado por uma moradora do Centro dentro da B3, que alegou que não houve diálogo com a população da área sobre o projeto. O governador minimizou os impactos e falou que “é assim que funciona”.

    — A gente está acostumado a lidar com projetos de engenharia de grande porte. E projetos de engenharia de grande porte trazem transtornos, trazem desapropriação. Isso é comum. Isso acontece em toda provisão de linha de metrô, não existe uma linha de metrô que você edifique que você não tenha desapropriação. Isso vai acontecer no túnel Santos-Guarujá. A pergunta é, nós vamos abrir mão, por causa disso, do Centro Administrativo de São Paulo? Nós vamos abrir mão, por causa disso, do túnel Santos-Guarujá? Não. Essas intervenções, essas melhorias precisam vir — falou, acrescentando que os moradores serão indenizados.

    O governador disse que o Novo Centro Administrativo faz parte de “um conjunto de intervenções para que as pessoas voltem a circular no Centro”, citando ainda a reforma da Escola Estadual Caetano de Campos, a criação do VLT (um projeto da prefeitura) e a construção da nova sede do Comando de Policiamento Metropolitano, na Luz, além do futuro parque e da futura estação Bom Retiro, da CPTM, que ficarão onde hoje está a Favela do Moinho.

    — É uma grande atividade de requalificação urbana aqui na cidade de São Paulo. Uma das maiores das últimas décadas. Então, isso é extremamente significativo, positivo. Tanto é que quando esse tema foi avaliado pela população agora, vide a pesquisa Datafolha folha que foi publicada recentemente, a aceitação é muito significativa. As pessoas querem isso. Um centro diferente, requalificado, devolvido para a população — falou.

    Projeto arquitetônico definido em concurso

    Projeto arquitetônico definido em concurso

    O desenho arquitetônico do complexo foi produzido pelo escritório Ópera Quatro, após um concurso realizado pelo governo em 2024. O arquiteto Pablo Chakur, que liderou o projeto, afirma que se inspirou em “referências internacionais de requalificação urbana e concentração de edifícios públicos em áreas consolidadas da cidade, como por exemplo a Potsdamer Platz, em Berlim, que transformou uma área fragmentada em um novo polo institucional e urbano integrado com edifícios corporativos e espaços públicos qualificados”. A intenção foi evitar que o complexo virasse um “enclave fechado”. A empresa que vencer a licitação terá que seguir o projeto urbanístico escolhido no concurso.

    — O projeto privilegia a permeabilidade física e visual, com térreos ativos, praças abertas ao público, conexões com o sistema viário existente e integração com o transporte coletivo. A proposta considera a escala do bairro dos Campos Elíseos, respeitando o entorno e criando frentes urbanas qualificadas, com usos que extrapolam o expediente administrativo, estimulando fluxo constante de pessoas. A ideia é que o conjunto funcione como extensão do tecido urbano, e não como barreira — explica.

    Obras começam por terminal de ônibus

    Obras começam por terminal de ônibus

    A Zetta Infraestrutura, líder do consórcio, chegou a vencer a concessão do Parque Dom Pedro II, também na Região Central, mas acabou inabilitada. Com isso, a RZK Empreendimentos, outra integrante do consórcio vencedor nesta quinta, ficou com a concessão. A RZK é dona do Reserva Raposo, um dos maiores condomínios residenciais de São Paulo, enquanto a Engemat é uma empresa de engenharia.

    Felipe Mahana, diretor da M4 Investimentos, uma das empresas integrantes do consórcio vencedor, afirma que as opções para financiamento do projeto estão sendo avaliadas, como empréstimos no BNDES e em bancos internacionais, até debêntures incentivadas para investimentos imobiliários. Ele afirmou que o consórcio tem “ampla experiência” com parcerias público-privadas, como as PPPs de escolas do governo do estado e projetos habitacionais na capital, e também na gestão de edifícios.

    A primeira parte da obra será a desativação do Terminal Princesa Isabel e a construção do novo terminal, que ficará ao lado da Estação da Luz. Também será feito um novo prédio para os Correios, já que a empresa cedeu o prédio que ocupava, na Praça do Correio, para a prefeitura no ano passado.

    — Depois da assinatura do contrato, 45 dias para a ordem de início efetiva do contrato. E a obra a gente imagina começar a partir do 18º mês (após a assinatura) dos anexos, que é o edifício do Correio e o novo terminal. E a partir do 3º ano efetivamente começar a obra do centro administrativo novo. Claro que a obra depende dos prazos de liceciamentos, de desapropriações, a gente não controla isso, o contrato prevê que, se tiver algum problema de prazo, a gente recoloca esse prazo — falou.

  • Tarcísio de Freitas