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GERADO EM: 26/02/2026 - 21:29
Pai de Dinho reflete sobre legado dos Mamonas após 30 anos da tragédia
Trinta anos após a tragédia que vitimou os Mamonas Assassinas, Hildebrando Alves, pai de Dinho, reflete sobre a perda e o legado da banda. Ele destaca a fé, apoio dos fãs e aceitação como fundamentais para superar o luto. As músicas, inspiradas no cotidiano e na autenticidade, perpetuam a memória do grupo. Um memorial será inaugurado, com cinzas transformadas em adubo para plantar árvores em homenagem aos músicos.
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Trinta anos após a morte dos integrantes dos Mamonas Assassinas, o pai de Dinho, Hildebrando Alves, voltou a falar publicamente sobre o impacto da tragédia e o legado deixado pelo grupo. Após a exumação dos corpos que aconteceu nesta segunda-feira, ele afirmou que a fé em Deus, a ajuda dos fãs e a coragem para enfrentar a vida foram fundamentais para atravessar os momentos mais difíceis desde o acidente aéreo sofrido pela banda, em 1996.
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Ao GLOBO, Hildebrando disse que, ao longo dessas três décadas, a família passou a compreender a morte como parte da existência e que o sofrimento não traria de volta o filho nem os demais integrantes.
— Nesses 30 anos, compreendemos que a vida é assim, vamos todos morrer um dia. Baixar a cabeça não resolve nada. Se eu tivesse certeza que eles, ou mesmo meu filho, voltariam se eu chorasse, estaria chorando até hoje. Mas não volta. É uma coisa que vem de Deus, e contra Deus não há argumentos. É aceitar e agradecer por cada dia de vida — declarou.
Hildebrando também relembrou as inspirações por trás das músicas que se tornaram sucessos nacionais. Segundo ele, o cotidiano simples e as observações do dia a dia foram a base criativa de Dinho.
— A inspiração do Dinho sempre foi a fazenda em que olhava o gado; para o Mundo Animal, eu acho que se baseou nisso. Pelados em Santos foi uma brincadeira dele com um amigo. Já Robocop Gay foi porque ele sempre foi contra a discriminação de gays. Ele dizia para mim: 'eles falam porque não têm consciência da vida, gay também é gente'. Por isso colocou essa frase na música. Agradou porque ele fez do jeito certo — afirmou.
Relembre a trajetória dos Mamonas Assassinas
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Mamonas Assassinas. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
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A trajetória dos Mamonas começou longe dos holofotes, quando Sérgio Reoli foi apresentado ao guitarrista Bento Hinoto. — Foto: Marco Antônio Teixeira
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Samuel, Sérgio e Bento formaram o grupo Ponte Aérea, que depois se tornaria Utopia e, em seguida, Mamonas Assassinas. — Foto: Reprodução
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O grupo convidou alguém da plateia para assumir o microfone. Foi quando Dinho subiu ao palco e cantou com os músicos pela primeira vez. — Foto: Foto Monique Cabral / Agência O Globo
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Dinho começou a cantar em corais de igreja ainda na infância. Ele foi o principal vocalista e um dos letristas dos Mamonas. — Foto: Foto Marco Antonio Teixeira / Agência O Globo.
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Bento Hinoto foi o guitarrista dos Mamonas Assassinas e um dos fundadores do grupo Ponte Aérea, que viria a ser o Utopia e, em seguida, os Mamonas. — Foto: Reprodução/ Instagram
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Um dos fundadores do grupo Utopia, que originou os Mamonas, Sérgio Reoli foi baterista da banda e irmão mais velho do baixista Samuel Reoli. — Foto: Reprodução/ Instagram
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Samuel Reoli foi Samuel foi baixista dos Mamonas Assassinas e irmão mais novo do baterista Sérgio Reoli. — Foto: Reprodução/ Instagram
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Júlio Rasec foi tecladista e o principal compositor dos Mamonas.. — Foto: Reprodução/ Instagram
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Em 1995, os Mamonas gravaram seu primeiro e único álbum homônimo da banda com a EMI.— Foto: Reprodução
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Com letras repletas de deboche, incorreções políticas e expressões de duplo sentido, o álbum foi um sucesso e teve cerca de 1,8 milhão de cópias vendidas. — Foto: Divulgação
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No auge: os Titãs e os Mamonas Assassinas — Foto: Reprodução do encarte do livro "A vida até parece uma festa", de Hérica Marmo e Luiz André Alzer.
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Os Mamonas com a cantora Elba Ramalho — Foto: MONIQUE CABRAL - GDI / AGÊNCIA O GLOBO
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Os Mamonas Assassinas morreram em um acidente aéreo na Serra da Cantareira em 1996 — Foto: José Luís da Conceição/Agência O GLOBO
— Nesses 30 anos, não apareceu ninguém igual. Ele [Dinho] não programou nada de fazer música para agradar, nem A, nem B. Ele fez uma música pensando nele, e só depois para todo mundo. É um legado que ele deixou.
Memorial em homenagem
Memorial em homenagem
A exumação integra a criação de um memorial vivo dedicado aos músicos. A cerimônia de inauguração do espaço, aberta ao público e gratuita, está prevista para esta sexta-feira (27), às vésperas dos 30 anos do acidente aéreo que matou a banda. Após a exumação, os corpos serão cremados e transformados em adubo para plantar cinco árvores no BioParque Cemitério de Guarulhos, a cidade onde moravam, revelou o colunista Ancelmo Gois.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre as famílias dos artistas e o BioParque Cemitério de Guarulhos. O projeto prevê a cremação de uma pequena parte dos restos mortais, que será transformada em adubo para o plantio de cinco árvores, uma para cada integrante. Segundo Santana, a proposta foi discutida e aprovada em conjunto pelas famílias. O memorial funcionará como uma extensão das sepulturas, que continuarão preservadas e abertas para visitação gratuita.
— O espaço tem toda uma simbologia. Vai ter totens, atividades, QR Code e um ‘cantinho Mamonas’. Tudo continuará gratuito — afirmou ao GLOBO.
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De acordo com o cemitério, as cinzas serão colocadas em urnas biodegradáveis junto às sementes escolhidas pelas famílias. O desenvolvimento das árvores poderá ser acompanhado por uma plataforma digital desde a germinação até o plantio definitivo no local. Cada árvore terá identificação e um totem com QR Code reunindo fotos, vídeos e relatos sobre os integrantes, com a proposta de transformar o espaço em um ponto de encontro para fãs.
Os Mamonas Assassinas estavam no auge do sucesso quando morreram em 2 de março de 1996. Após um show em Brasília, o avião que transportava o grupo colidiu com a Serra da Cantareira durante a aproximação para pouso em Guarulhos, causando a morte de todos os ocupantes e provocando grande comoção no país.