Declaração do Departamento de Estado não cita possíveis sanções, e ocorre em momento de tensões elevadas entre Washington e o governo iraniano
Por O Globo e agências internacionais — Washington
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GERADO EM: 27/02/2026 - 19:27
EUA Classificam Irã como Patrocinador de Detenções Arbitrárias em Meio a Tensão Nuclear
O Departamento de Estado dos EUA designou o Irã como "Estado Patrocinador de Detenções Arbitrárias", citando a histórica invasão à embaixada americana em Teerã, em 1979. A declaração ocorre em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano e possíveis ações militares. Apesar de não mencionar sanções, a medida ressalta a prática contínua do Irã de deter americanos para fins políticos. Autoridades americanas alertam para riscos de viagens ao Irã e destacam a necessidade de libertar prisioneiros injustamente detidos.
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“Quando o regime iraniano tomou o poder há 47 anos, o aiatolá [Ruhollah] Khomeini consolidou seu controle endossando a tomada de reféns de funcionários da Embaixada dos EUA”,afirmou, em comunicado, o secretário de Estado, Marco Rubio. “Por décadas, o Irã continuou a deter cruelmente americanos inocentes, bem como cidadãos de outras nações, para usá-los como moeda de troca política contra outros Estados. Essa prática abominável precisa acabar.”
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No ano passado, Trump emitiu uma ordem executiva para proteger americanos no exterior, na qual estabelecia a classificação de “Estado Patrocinador de Detenções Arbitrárias”, e previa punições desde restrições ao uso do passaporte dos EUA até sanções, a suspensão de ajuda e o bloqueio de exportações aos Estados Unidos. Pouco depois, o Congresso aprovou uma lei oficializando as regras.
“Se o Irã não parar, seremos forçados a considerar medidas adicionais, incluindo uma possível restrição geográfica de viagens ao uso de passaportes americanos para, através ou a partir do Irã”, declarou Rubio. “O regime iraniano deve parar de fazer reféns e libertar todos os americanos detidos injustamente no Irã, medidas que poderiam pôr fim a essa designação e às ações associadas.”
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Segundo as autoridades americanas, ao menos quatro cidadãos do país estão presos no Irã, sendo que alguns foram capturados no ano passado, em meio à guerra de 12 dias com Israel e após o bombardeio ordenado por Donald Trump, em junho.
No passado, civis com passaportes dos EUA foram usados como moeda de troca entre Teerã e Washington: em 2023, um acordo para liberar US$ 6 bilhões em fundos iranianos congelados na Coreia do Sul envolveu o retorno de cinco americanos. Anos antes, em 2016, o jornalista Jason Rezaian foi solto em uma troca de prisioneiros entre os dois governos, após mais de um ano atrás das grades.
No comunicado, Rubio declarou que “nenhum americano deve viajar para o Irã por qualquer motivo”, e reiterou “o apelo para que os americanos que estão atualmente no Irã deixem o país imediatamente” Há anos o Departamento de Estado desencoraja viagens de cidadãos dos EUA ao Irã, e aponta para riscos “incluindo terrorismo, agitação social, sequestro, prisão arbitrária e detenção ilegal”. Atualmente, os dois países negociam um novo acordo para o programa nuclear iraniano, e Trump não descarta o uso de força militar para colocar as autoridades locais nas cordas.
“Alguns cidadãos americanos foram mantidos presos por anos sob falsas acusações, submetidos a tortura e até mesmo condenados à morte”, continua o alerta.