Sem rumo? Escolhas contestadas e discurso desalinhado evidenciam mau momento do Flamengo com Filipe Luís
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Sem rumo? Escolhas contestadas e discurso desalinhado evidenciam mau momento do Flamengo com Filipe Luís

Trabalho do treinador é mantido por conta do crédito acumulado, mas há muito a ser revisto após dois meses desastrosos em 2026

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    GERADO EM: 27/02/2026 - 20:52

    Filipe Luís enfrenta críticas e pressão no Flamengo em 2026

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    Uma característica clara do Flamengo nesse começo de 2026 é a falta de rumo. Filipe Luís e a equipe multicampeã na última temporada estão expostos em definitivo com o vice da Recopa Sul-Americana na última quinta-feira. A derrota por 3 a 2 para o Lanús se soma à perda da Supercopa do Brasil, para o Corinthians, e o desempenho irreconhecível de um grupo que alimenta enormes expectativas. O treinador também não tem ajudado e passa pelo momento mais crítico.

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  • Ficou evidenciado no Maracanã nesta semana que há línguas diferentes sendo faladas dentro do time. Enquanto jogadores como Arrascaeta e Danilo seguem mostrando insatisfação pública com o desempenho, e Everton Cebolinha indicou até saída do rubro-negro, Filipe Luís sustentou que está satisfeito com o futebol apresentado. Neste momento, o discurso está descolado da realidade.

    — Fizemos um grande jogo. Cometemos um erro que nos custou um gol, mas o adversário quase não passou do meio-campo. Foi assim até a prorrogação, quando fizeram o gol de cabeça. Minha avaliação é de que o time foi superior. Como não ganhamos, essas palavras vão soar mal. Jogadores deram tudo em campo. No futebol, os resultados a gente não controla — disse na coletiva.

    Se tantos jogadores estão mal ao mesmo tempo, é inevitável apontar o dedo para quem os comanda, por mais que Filipe Luís tenha muito crédito em sua passagem. Após o vice no Maracanã, ele apresentou uma face mais abatida que de costume, teve a família aparecendo publicamente para oferecer suporte no estádio, e deu muitas declarações curtas e pouco convincentes à imprensa. Entre elas, dando a entender que vê o time com a "sua cara" e se negando a autoavaliar o trabalho.

    Essas falas não caíram bem, tanto na torcida, que o hostilizou pela primeira vez na arquibancada, quanto nos bastidores do clube, com alas da diretoria passando a demonstrar irritação. Ainda não há movimento para tramar uma demissão e troca de comando, mas há muito a ser revisto.

    Inconsistência

    Inconsistência

    Em 2026, o que o Flamengo não tem é uma cara. Nos 11 jogos realizados com o elenco principal, a escalação não foi repetida nenhuma vez, por exemplo. Em todos os setores, as peças são mudadas rotineiramente por um Filipe um pouco perdido, enquanto o mesmo não abre mão de nomes que não estão rendendo.

    O ataque é onde isso fica mais evidente, em especial no caso de Plata. Mesmo com claras deficiências técnicas para ser um finalizador, o atacante equatoriano é frequentemente escolhido para ser o teórico camisa 9. São sete titularidades neste ano, o que lhe deixa atrás apenas de Carrascal (9) entre os homens de frente. Ao mesmo tempo, Pedro perde cada vez mais minutos em jogos grandes e não tem feito jus ao seu potencial quando é acionado.

    Então, o Flamengo não tem uma peça referência na área, assim como não consegue fazer funcionar o jogo mais móvel com falso 9. Diversos jogadores fizeram essa função, mas nenhum é efetivamente produtivo.

    A ponta esquerda também tem uma disputa aberta, mas é impossível saber quem tem a preferência de Filipe Luís. Everton Cebolinha foi titular seis vezes, contra quatro de Samuel Lino. A dupla segue dividindo opiniões da torcida e nenhum deles se firma.

    Titularidades dos atacantes do Flamengo em 2026 (jogos totais):

    1. Carrascal - 9 (11)
    2. Plata - 7 (9)
    3. Cebolinha - 6 (11)
    4. Pedro - 6 (10)
    5. Lino - 4 (10)
    6. BH - 3 (9)
    7. Luiz Araújo - 2 (5)

  • Carrascal - 9 (11)
  • Plata - 7 (9)
  • Cebolinha - 6 (11)
  • Pedro - 6 (10)
  • Lino - 4 (10)
  • BH - 3 (9)
  • Luiz Araújo - 2 (5)
  • Também há lacunas na defesa, sobretudo pelo mau início de ano de Léo Ortiz. Mas Filipe Luís o mantém como a dupla mais frequente de Léo Pereira, mesmo tendo Danilo e o recém-contratado Vitão com desempenhos mais confiáveis. Ficar preso ao que deu certo em 2025 faz o time desmoronar a partir do ponto que era o mais estável: a meta rubro-negra foi vazada em nove dos 11 jogos.

    Titularidades dos defensores do Flamengo em 2026 (jogos totais):

    1. Léo Pereira - 8 (7)
    2. Emerson Royal - 7 (7)
    3. Léo Ortiz - 7 (6)
    4. Alex Sandro - 7 (6)
    5. Varela - 6 (4)
    6. Vitão - 5 (5)
    7. Ayrton Lucas - 5 (4)
    8. Danilo - 4 (4)

  • Léo Pereira - 8 (7)
  • Emerson Royal - 7 (7)
  • Léo Ortiz - 7 (6)
  • Alex Sandro - 7 (6)
  • Varela - 6 (4)
  • Vitão - 5 (5)
  • Ayrton Lucas - 5 (4)
  • Danilo - 4 (4)
  • As escalações não são o único ponto de inconsistência neste princípio de temporada, pois as leituras de Filipe durante as partidas não vêm ajudando. Na quinta-feira, ficou em evidência a decisão de colocar Cebolinha na lateral direita quanto a equipe precisava desesperadamente de um gol na reta final do tempo regulamentar. O treinador frequentemente empilha cinco atacantes quando é preciso correr atrás do placar.

    Titularidades dos meias do Flamengo em 2026 (jogos totais):

    1. Pulgar - 10 (8)
    2. Evertton Araújo - 9 (7)
    3. Arrascaeta - 8 (5)
    4. Paquetá - 8 (5)
    5. De la Cruz - 5 (2)
    6. Jorginho - 3 (1)

  • Pulgar - 10 (8)
  • Evertton Araújo - 9 (7)
  • Arrascaeta - 8 (5)
  • Paquetá - 8 (5)
  • De la Cruz - 5 (2)
  • Jorginho - 3 (1)
  • O trabalho de Filipe Luís ainda se sustenta por ser mais vitorioso que conturbado, e a amostragem desta temporada ser curta para se descartar tudo de uma vez. Torneios que são as prioridades da temporada, o Brasileirão ainda está em seu início e a Libertadores sequer começou para o Flamengo. Porém, a paciência e o humor em torno do treinador estão se esgotando.

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