O líder iraniano e aiatolá Ali Khamenei acusou o povo protestando nas ruas há 13 dias de querer apenas “agradar” o presidente Donald Trump. E avisou, pela televisão, que não vai ceder. “Existem pessoas cujo trabalho se resume apenas à destruição”, ele acrescentou. Aos jovens fiéis ao regime, pediu: “preservem sua religião, seu pensamento político e sua prontidão: uma nação unida vencerá qualquer inimigo”.
Na Casa Branca, em Washington, o presidente Donald Trump repetiu a advertência ao aiatolá Khamenei, durante uma entrevista à imprensa: “Que os iranianos não comecem a atirar nos manifestantes, porque nós atiraremos de volta”.
As agências de inteligência dos EUA mudaram a previsão de que as manifestações seriam impotentes contra a teocracia instalada no Irã há 47 anos, para, agora, “ameaçadoras”, o Irã pegando fogo em várias cidades, mais de 50 mortos nos tumultos, entre elas 18 crianças, e a internet e ligações por telefone do exterior bloqueados.
A internet é uma ferramenta de repressão, explicou Omid Memarian, um iraniano ativista de direitos humanos em Washington: “Sempre que os protestos atingem um ponto crítico, as autoridades cortam a ligação do país à internet global para isolar os manifestantes e limitar a sua comunicação com o mundo exterior. ”
As manifestações começaram no Grande Bazar, em Teerã, com os comerciantes fechando as portas, a inflação e o alto custo de vida proibitivos para compras. Os estudantes aderiram aos protestos, mas defendendo a queda do regime teocrático. A partir daí milhares de pessoas foram para as ruas, e continuam nelas, incendiando prédios do governo e até o túmulo de aiatolá Khomeini, que derrubou o Xá Reza Pahlavi, em 1979, expulsando-o para o exílio nos Estados Unidos, e fundou a República Islâmica.
O presidente Trump advertiu que as mortes de manifestantes fariam com que os EUA interviessem. O aiatolá Khamenei reagiu prometendo vingança, estendendo-a para Israel, em alerta máximo contra um ataque iraniano para unir o país contra um inimigo externo. A rádio israelense, em sua transmissão em persa, está atiçando os protestos.
Ao presidente Trump, aiatolá Khamenei, 86, três décadas no poder, respondeu: “Ele deveria governar o próprio país, se puder”. E acrescentou: “Ele quer ficar do lado dos manifestantes violentos e dos indivíduos nocivos”. Enquanto falava, grupos de apoio ao regime repetiam “Morte à América”. Mas nas ruas, o bordão dos manifestantes eram outros: “Abaixo a ditadura”, “Liberdade, liberdade”, “Morte a Khamenei” e “Longa vida ao Xá”.
O filho do Xá, Mohammad Pahlavi, que vive em Virgínia, na área de Washington, apelou para a intervenção de Trump: “Senhor Presidente, este é um apelo urgente e imediato à sua atenção, apoio e ação. Por favor, esteja preparado para intervir em auxílio ao povo do Irã. ” Ele também tem enviado mensagens aos iranianos, pelas redes sociais: “Convoquei o povo às ruas para lutar por sua liberdade e sobrepujar as forças de segurança com sua superioridade numérica. ” Antes de 1979, no reinado de seu pai, o Irã era um dos países mais bem armados do Oriente Médio. Chamavam-no de “cão de guarda dos EUA”. Mas o país caiu sem disparar um tiro diante de aiatolá Khomeini