A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento para o tratamento da doença de Alzheimer no Brasil: o Lecanemabe. O fármaco é indicado especificamente para pacientes que apresentam os primeiros sinais da enfermidade, estágio em que a Maria Teresa Reyes, diagnosticada há seis anos, consegue manter uma rotina ativa com atividades físicas e domésticas.
Diferente de terapias anteriores, o Lecanemabe foca em uma das causas prováveis da doença: o acúmulo da substância amiloide. Essa proteína forma placas nos neurônios que impedem a comunicação entre as células cerebrais. O novo remédio funciona através de anticorpos que acionam o sistema imunológico para realizar a limpeza dessas placas no cérebro.
Protocolos de segurança e exames obrigatórios
Apesar do avanço, o uso do medicamento exige rigoroso acompanhamento médico. Antes de iniciar o tratamento, o paciente deve realizar testes que confirmem o diagnóstico e descartem condições genéticas específicas. Segundo especialistas, a combinação do remédio com certas características genéticas pode provocar hemorragias cerebrais.
Por conta desses riscos, a realização de exames frequentes é obrigatória. O neurologista Adalberto Studart Neto ressalta que o protocolo inclui a repetição periódica de ressonâncias magnéticas, mesmo em pacientes que não apresentam sintomas colaterais, para garantir a segurança do procedimento.
Disponibilidade e acesso ao tratamento
Embora a aprovação da Anvisa seja um passo fundamental, ainda não há uma data prevista para o início das vendas do Lecanemabe no Brasil. O próximo estágio envolve a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que deve determinar o preço máximo de comercialização no país.
Atualmente, o sistema de saúde brasileiro já oferece duas classes de medicamentos que tratam os sintomas da doença, ambos disponíveis pelo SUS, conforme explica Celene Pinheiro, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAZ). O Alzheimer ainda não possui cura, mas o novo tratamento representa uma possibilidade de retardar o avanço da degeneração cognitiva em casos iniciais.