Extrema direita afirma ser o 'partido do povo' na Alemanha e prevê queda de chanceler Merz até o fim do ano
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Extrema direita afirma ser o 'partido do povo' na Alemanha e prevê queda de chanceler Merz até o fim do ano

AfD vence eleição regional em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, enquanto a CDU teve seu pior resultado desde a fundação, em 1945

Por AFP — Berlim

21/09/2026 10h05 Atualizado 21/09/2026 10h06

Os líderes da extrema direita da Alemanha previram nesta segunda-feira a queda, até o fim do ano, do chanceler conservador Friedrich Merz, após uma sequência de derrotas eleitorais regionais. A copresidente da Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão), Alice Weidel, afirmou que seu partido já "substituiu" a União Democrata-Cristã (CDU, na sigla em alemão) como o "partido do povo".

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  • A AfD venceu no domingo as eleições regionais em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, enquanto a CDU obteve apenas 4,9% dos votos, abaixo do mínimo necessário para permanecer no Parlamento estadual. Foi o pior resultado do partido desde sua fundação, em 1945.

    Apesar da vitória da AfD, o Partido Social-Democrata (SPD, na sigla em alemão), de centro-esquerda, poderá continuar governando o estado se conseguir formar uma coalizão com seus aliados.

    — O chanceler certamente não chegará ao fim do ano — declarou Leif-Erik Holm, principal candidato da AfD no estado, na costa do Mar Báltico, acrescentando: — Acredito que o ocaso do chanceler começou.

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    — Nós substituímos a CDU como partido do povo — afirmou Weidel.

    Em apenas 16 meses no cargo, a popularidade de Merz desabou, enquanto seu partido sofreu diversas derrotas em eleições regionais para a AfD, que também lidera as pesquisas nacionais de intenção de voto.

    Diante das especulações de que seu próprio partido poderia tentar destituí-lo, o chefe de governo, de 70 anos, fez um inusitado discurso à nação no domingo, poucos minutos após a divulgação das pesquisas de boca de urna.

    Merz reconheceu que a CDU sofreu um "desastre" em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. O resultado se soma à derrota do partido em Berlim, onde o Die Linke, de extrema esquerda, obteve 25% dos votos, contra 20% da CDU, e está em condições de tirar a prefeitura dos democrata-cristãos. A AfD também avançou na capital, com quase 15% dos votos.

    As duas derrotas se somam ao resultado de 6 de setembro, quando a AfD triunfou em outra região do leste do país, a Saxônia-Anhalt. Na ocasião, a extrema direita ficou a apenas três cadeiras da maioria absoluta, embora ainda não tenha apoio suficiente para formar seu primeiro governo regional.

    'Firmeza e paciência'

    — A confiança nas instituições do nosso país está diminuindo e está sendo ativamente minada por partidos radicais, tanto de esquerda como da direita. O que precisa ser feito agora exige determinação, firmeza e paciência — declarou Merz na televisão. — Vou demonstrar isso como presidente da CDU e, sobretudo, como chanceler do nosso país.

    O conservador governa em aliança com os social-democratas, que, por enquanto, mantêm o apoio ao governo.

    — Continuamos comprometidos com esta coalizão, mas não podemos seguir como nos últimos meses. Precisamos de mudanças — disse Lars Klingbeil, dirigente do SPD e ministro das Finanças.— Ir de cabeça contra a parede, explicando que basta ser ainda mais rígidos no que temos feito até agora e que as pessoas acabarão entendendo, não vai funcionar.

    Merz tenta desmentir há várias semanas os rumores de que poderia ser destituído pelo próprio partido. Ele cancelou a viagem prevista para esta semana a Nova York, onde participaria da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

    Entre os possíveis sucessores estão Hendrik Wüst, chefe de governo da região da Renânia do Norte-Vestfália, e Markus Söder, chefe de governo da região da Baviera e líder da União Social-Cristã (CSU, na sigla em alemão), partido irmão regional da CDU. Nenhum dos dois, porém, se manifestou abertamente até o momento.

    Quando assumiu o cargo, em maio de 2025, Merz prometeu recuperar uma economia enfraquecida, reconstruir as Forças Armadas alemãs para dissuadir a Rússia e reduzir a imigração irregular, com o objetivo de aliviar os temores dos eleitores e atraí-los para a CDU, contra a AfD.

    A AfD, porém, lidera agora as pesquisas nacionais de intenção de voto, enquanto a aprovação de Merz está um pouco acima de 10%.

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