Manifestação sobre celular de Vorcaro será mais um teste para Fachin, que tenta evitar 'tumulto' em julgamento de Moraes
Conteúdo de aparelho gera embate entre ministros às vésperas de sessão
14/09/2026 03h30 Atualizado 14/09/2026 03h30
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, terá mais um desafio na condução do julgamento que pode abrir uma investigação contra Alexandre de Moraes. No domingo, ministros travaram mais um embate sobre os procedimentos que podem afetar a sessão marcada para terça-feira. Após uma série de manifestações, o ministro Cristiano Zanin ordenou ontem à Polícia Federal (PF) a remessa ao seu gabinete de cópia do conteúdo integral do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e foi seguido pouco depois com a mesma determinação por Gilmar Mendes. Horas antes, o colega André Mendonça enviou ofício a Fachin, reforçando sua posição contrária ao compartilhamento de todo esse material.
Agora, caberá ao presidente do STF encaminhar a questão para que não haja "tumultos processuais", na própria definição de Mendonça.
Em meio à escalada da crise no Supremo Tribunal Federal, o presidente da Corte, Edson Fachin, adotou uma série de medidas, na semana passada, visando evitar "tumultos processuais" na apreciação, tanto do relatório sobre as mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, como sobre a acusação de suposta parcialidade do ministro André Mendonça na Operação Compliance Zero. As principais decisões foram a de assumir a relatoria do caso Moraes e separar as sessões que vão analisar cada um dos relatórios elaborados pela Polícia Federal.
Mendonça alegou que não há necessidade de análise de todos os dados baixados de um iPhone de Vorcaro para a instrução do julgamento e criticou posição anterior do próprio Zanin pela publicidade do conteúdo. O magistrado alega que a queda do sigilo poderia causar prejuízo a investigações em andamento e serviria apenas para tumultuar o julgamento de amanhã.
O episódio eleva a pressão da ala ligada a Moraes por um adiamento da sessão, hipótese até aqui rechaçada por Fachin.
O presidente do STF vem se manifestando nos últimos dias para baixar as tensões e tentar organizar sessão. Ao assumir a relatoria do caso Moraes, Fachin resolveu um dos principais questionamentos relacionados ao rito do julgamento previsto para terça-feira: a quem caberia fazer o primeiro e principal pronunciamento sobre o teor do relatório em que a PF identificou Moraes como interlocutor de Vorcaro.
Ainda não há definição sobre quais os procedimentos a serem adotados durante o julgamento, mas a resolução sobre a relatoria do caso impede, por exemplo, que Mendonça fosse o responsável por investigar, eventualmente, Moraes.
Já para negar o pedido de Moraes para que, na mesma sessão, fosse julgado também o relatório que o cita como o documento que implica Mendonça, Fachin usou os prazos que já havia fixado para as manifestações do caso.
O presidente do STF lembrou que os envolvidos no relatório sobre Moraes — o próprio ministro, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues — termina na segunda, na véspera do julgamento.
No caso de Mendonça, o relator da Operação Compliance Zero tem até o dia 21 para apresentar seu parecer.
Fachin também anotou que os casos Moraes e Mendonça tem "contornos e objetos bem delineados" e isso permitiria que eles fossem analisados separadamente, "preservando os limites" do que será discutido em plenário na próxima terça-feira.
Assim, o ministro marcou para o próximo dia 23 o debate sobre o relatório que atribui supostos crimes ao relator do caso Master.
O presidente do STF rememorou de decisões que deu ao longo da semana se deram em razão de um "quadro de conflitos e sobreposições de decisões" que o levaram a assumir os casos com o objetivo de "assegurar o adequado direcionamento dos trabalhos da Corte".
Na ocasião, Fachin considerou que havia um "quadro de conflitos e sobreposições processuais que configuram grave lesão à ordem pública e à integridade" do STF.