Mau tempo dificulta operações de resgate no Nepal e Tibete
Equipes correm para salvar em torno de 100 trabalhadores presos em túneis de usinas hidrelétricas após enchentes no Himalaia. Número de mortos já se aproxima dos 800, com mais de 3 mil desaparecidos.Equipes de resgate no Nepal e na Região Autônoma do Tibete, no sudoeste da China, enfrentaram neste domingo (30/08) a lama e a ameaça de transbordamento de rios e de um lago recém-formado na busca por milhares de desaparecidos, após as devastadoras enchentes repentinas que atingiram a região do Himalaia, soterrando vilarejos inteiros.
Os dados mais recentes apontam para 3.048 desaparecidos, incluindo centenas de estrangeiros, e 768 mortes confirmadas.
O Nepal registrou um total de 752 mortos neste domingo, com 2.502 desaparecidos. Do outro lado da fronteira, no Tibete, 16 pessoas morreram e 546 permanecem desaparecidas. Autoridades da Índia disseram ter recuperado sete corpos que acreditam ser vítimas das enchentes levadas pela correnteza através dos rios que descem do Nepal.
A Autoridade Nacional de Gestão de Desastres do Nepal informou neste domingo que 592 estrangeiros, incluindo excursionistas e peregrinos hindus que visitavam o sagrado Monte Kailash, no Tibete, estavam entre os desaparecidos. No Tibete, as equipes de resgate conseguiram retirar 555 turistas e 499 cidadãos chineses que estavam ilhados.
A Fundação Isha, liderada pelo guru indiano Sadhguru, afirmou neste sábado em postagem no Instagram que 80 de seus membros estavam em uma viagem pela região. "Até o momento, não há indícios encorajadores de sobreviventes na área do escritório de imigração", informou a entidade.
Esforços para salvar trabalhadores presos em túneis
As autoridades nepalesas acreditam que mais de 100 trabalhadores estejam presos em vários túneis de usinas hidrelétricas. No final da noite de sábado, o Exército nepalês inseriu um cano em um dos túneis da usina de Trishuli 3A, no vale do rio Himalaia, por meio do qual começou a injetar ar, informou o ministro do Interior nepalês Sudan Gurung.
No entanto, a chuva durante a noite e a elevação do nível das águas do rio inundaram a área de escavação e dificultaram os esforços de resgate no local. As autoridades de gestão de desastres do Nepal pediram neste domingo às equipes de resgate que trabalhem com cautela.
Os funcionários presos nos túneis estão entre os 933 trabalhadores que desapareceram em obras de hidrelétricos em uma área que abriga vastos projetos de infraestrutura energética.
A Índia, que tem vasta experiência em resgates desse tipo, enviou uma equipe especializada de 11 pessoas. A China também enviou nove especialistas em túneis para ajudar nos esforços.
Risco de novos transbordamentos na fronteira
Equipes de resgate chinesas na passagem de fronteira de Gyirong - a principal travessia terrestre entre a China e o Nepal, atingida pela avalanche de lama - tiveram de ser transferidas para um local seguro neste domingo, após a formação de um novo lago provocado por um deslizamento de terra, informou a imprensa estatal chinesa.
As autoridades chinesas de gestão de desastres disseram que especialistas monitoravam o lago com um drone de reconhecimento, em meio a preocupações de que a água acumulada pudesse desencadear outra inundação caso rompesse a barreira de lama e os detritos que a retêm.
O lago foi descoberto no final da noite deste sábado, após um deslizamento de terra provocar o represamento da água. Outro lago temporário já havia causado alarme após se formar ao longo do rio Purepuqiang-Zangbu, no sudoeste do Tibete, mas secou naturalmente, de acordo com as autoridades.
A ameaça de novas inundações tem interrompido repetidamente os esforços de resgate em ambos os lados da fronteira. Um novo alerta de inundação na zona de desastre no Nepal causou novas preocupações na manhã de domingo.
Centenas de vítimas não identificadas são enterradas
O Nepal informou neste domingo que começou a operação para enterrar alguns dos centenas de corpos não identificados, após coletar amostras de DNA após coletar amostras de DNA para que as famílias possam reivindicá-los posteriormente e realizar os ritos funerários tradicionais, uma vez que a identificação seja possível.
O desastre, que atingiu a fronteira entre o Tibete e o Nepal na manhã de quarta-feira, foi causado pelo colapso de uma geleira, que enviou uma onda de água e detritos rio abaixo, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
A agência de notícias estatal chinesa Xinhua citou especialistas que disseram que uma geleira na encosta sul do Pico Lirung, no Nepal, se rompeu, desencadeando uma avalanche de gelo e rochas. A torrente despencou rapidamente, formando um enorme fluxo de detritos que percorreu mais de 20 quilômetros (12 milhas) antes de atingir o porto de Gyirong.
"O colapso glacial e a inundação repentina são um lembrete devastador de quão frágeis esses ambientes de montanha podem ser", disse o chefe do clima da ONU, Simon Stiell, em comunicado.
Países anunciam envio de ajuda
OsEstados Unidos e o Canadá anunciaram que fornecerão 3,6 milhões de dólares cada (R$ 18,7 milhões) em ajuda humanitária ao Nepal.
O Reino Unido ofereceu 6,8 milhões de dólares, enquanto a ONU liberou 2,5 milhões em fundos de emergência. Promessas de ajuda também foram feitas pela União Europeia (UE), pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e outras organizações.
A economia do Nepal, que já enfrentava dificuldades, dispõe de recursos limitados para responder a um desastre dessa magnitude. O Ministro nepalês do Exterior, Shisir Khanal, afirmou que a conta da reconstrução pode chegar a bilhões de dólares.
Os ministros do Exterior da China e do Nepal conversaram neste sábado e discutiram o compartilhamento de dados de satélite e hidrológicos, segundo relatos dos dois governos.
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