Interesses eleitorais impulsionam alinhamento de Lula, Alcolumbre e Motta
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Interesses eleitorais impulsionam alinhamento de Lula, Alcolumbre e Motta

Resultado de encontro ocorrido no Alvorada foi um jogo de 'ganha-ganha' entre os chefes do Executivo e das Casas Legislativas

27/08/2026 00h00 Atualizado 27/08/2026 00h00

Os interesses eleitorais, tanto imediatos como futuros, foram fundamentais para permitir o alinhamento entre o presidente Luiz Inácio Lula Silva e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PE), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-PB), visto no pronunciamento após almoço desta quarta-feira no Palácio do Alvorada.

Ao buscar os dois chefes das casas Legislativas, principalmente Alcolumbre, com que estava rompido desde de abril por causa da rejeição de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), Lula levou em conta a necessidade ter bandeiras concretas para apresentar na eleição de outubro, como a do fim da escala 6 x 1.

A PEC que trata do tema estava travada desde maio no Senado. Desgostoso com a rejeição de Messias, Lula, mesmo sabendo que a proposta não andaria sem o aval de Alcolumbre, vinha há meses postergando uma aproximação com o senador. Até que as pesquisas apontaram um estreitamento da sua vantagem na disputa presidencial e o noticiário passou a ser dominado pelas denúncias contra o seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Com necessidade de criar fatos para reverter o quadro, o presidente da República, enfim, cedeu.

As sinalizações feitas por Alcolumbre de aprovação do fim da escala 6 x 1 já na semana que vem podem render um trunfo para o petista exibir aos eleitores em busca de se distanciar de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pelo Palácio do Planalto.

De quebra, o presidente ainda garantiu o compromisso, esse ainda mais explícito, de que a medida provisória que acaba com a “taxa das blusinhas” não irá caducar. A volta do tributo para compras de até US$ 50 em plataformas digitais seria uma fonte de desgaste a menos de 40 dias do primeiro turno.

Com menor apelo popular, Lula ainda pode receber de Alcolumbre a aprovação da PEC da Segurança Pública, que lhe permitirá cumprir a promessa de criar um ministério para cuidar da área, do projeto que regula a exploração de terras raras e da proposta que estabelece o Redata, o plano nacional de incentivos para o setor de data centers.

Do outro lado, Motta precisa de Lula, em primeiro lugar, como cabo eleitoral de seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), candidato a uma vaga ao Senado pela Paraíba. Em segundo, para garantir os votos de deputados do PT e de outros partidos de esquerda em sua tentativa de conseguir um novo mandato de presidente da Câmara, em fevereiro do ano que vem.

Alcolumbre, por sua vez, também conta com os votos dos senadores de esquerda para renovar seu mandato na Casa. Há um risco de que os parlamentares bolsonaristas lancem um nome forte para enfrentar o amapaense. Além disso, o candidato de Alcolumbre ao governo do Amapá, Clécio Luís (União Brasil), que tenta a reeleição, também conta com o apoio de Lula no estado em uma disputa em que, segundo a pesquisa Quaest desta semana, ele aparece 20 pontos atrás do ex-prefeito Dr. Furlan (PSD) .

Com os riscos eleitorais que os três enfrentam no momento, o alinhamento visto nesta quarta-feira no Alvorada foi um jogo de “ganha-ganha”.

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