Tarcísio diz que 70 câmeras foram analisadas e houve falsa comunicação de crime sobre perseguição de motorista de Haddad
Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo e candidato à reeleição, afirmou neste domingo, 16, que o caso envolvendo uma viatura da PM que teria perseguido o motorista de Fernando Haddad (PT), seu adversário nas eleições de 2026, teria sido uma “falsa comunicação” de crime. Ele ainda afirmou que as imagens de 70 câmeras de segurança foram analisadas pela polícia.
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O Terra tentou contato com a equipe de Fernando Haddad, que não se manifestou sobre o assunto.
O candidato à reeleição admitiu que algumas viaturas cruzaram o caminho do motorista do petista, mas afirmou que os dados de GPS foram cruzados com as imagens das câmeras de segurança da cidade para chegar à conclusão.
“A gente vê que não houve perseguição. Nós temos algumas viaturas que cruzam o carro que ele estava e seguem o destino. Por exemplo, aquela viatura que passa na rua dele, logo na sequência ela vai para o estacionamento de um batalhão”, disse o candidato durante uma coletiva de imprensa em Osasco (SP).
“A outra viatura, quando ele está parado no hotel, passa do lado, então ela não para, não aborda. Ela segue um pouco mais em frente, se junta com outra viatura e vai fazer patrulhamento em outra rua”, continuou Tarcísio.
Segundo o candidato, as imagens de 70 câmeras de segurança de São Paulo foram analisadas, e mostraram que não houve nenhuma abordagem. “Não houve contato dos policiais com o carro dele. A gente está apurando isso com a maior responsabilidade do mundo porque, se houvesse algum problema, se houvesse algum desvio de conduta, a gente ia punir severamente aqueles que atuaram no desvio de conduta, mas tudo tá mostrando que não houve absolutamente nada e se trata, no final das contas, de uma falsa comunicação [de crime]”, afirmou.
A Polícia Civil deve intimar o motorista e o candidato do PT para depor no inquérito, segundo Freitas.
“A gente está apurando isso com a maior responsabilidade do mundo, porque se houvesse algum problema, se houvesse algum desvio de conduta, a gente ia punir severamente aqueles que atuaram no desvio de conduta. Mas tudo está mostrando que não houve absolutamente nada e se trata, no final das contas, de uma falsa comunicação”, disse.
“A gente percebe também nas imagens, a gente analisou imagens de mais de 70 câmeras, que não houve nenhuma abordagem, não houve contato dos policiais no carro dele. Isso está virando um inquérito agora na Polícia Civil, o motorista vai ser intimado para depor, e então logo a Polícia Civil vai pegar todas as informações, de todas as imagens, do GPS das viaturas, vai juntar isso, vai concluir o inquérito e aí o inquérito vai chegar a uma conclusão”, declarou.
Entenda o caso
O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou, na última quarta-feira, 12, que o carro usado por sua equipe foi abordado e seguido por uma viatura da Polícia Militar (PM) na noite de terça-feira, 11, quando chegava à casa do ex-ministro, na zona sul da capital paulista. Segundo Haddad, os policiais estavam armados com fuzis e a abordagem teve caráter “ostensivo e intimidador”.
Haddad contou que voltava de uma aula magna na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco, quando uma viatura se aproximou do veículo e lançou uma luz sobre o carro. Ele entrou em casa após ser deixado pelo motorista e não deu importância ao episódio naquele momento.
Segundo o candidato, porém, o motorista continuou sendo acompanhado pela viatura. O veículo teria sido seguido de perto, emparelhado e acompanhado até estacionar em frente a um hotel. O motorista entrou no estabelecimento e, ao perceber que os policiais permaneciam no local, questionou os agentes sobre o motivo da perseguição, e teria sido tratado de forma intimidadora.
Na quinta-feira, 13, a Polícia Militar havia informado que analisou as imagens de 40 câmeras públicas no trajeto indicado pelo motorista de Fernando Haddad, e que não foi identificado indício de abordagem ou procedimento irregular por parte dos agentes. A presença da viatura no trajeto com policiais que portavam fuzis foi confirmada, e a PM investiga o caso.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) afirmou que "determinou à Polícia Militar que fossem identificadas as equipes que estiveram ou passaram pela região no período informado para apurar as circunstâncias do episódio. O secretário da pasta, Osvaldo Nico Gonçalves, entrou em contato com o candidato Fernando Haddad em busca de informações complementares sobre o trajeto e a situação relatada, a fim de contribuir na investigação. Qualquer possível desvio de conduta será devidamente apurado”.