Lula questionou Lulinha sobre natureza da relação com lobista investigada no esquema do INSS, afirmam aliados
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Lula questionou Lulinha sobre natureza da relação com lobista investigada no esquema do INSS, afirmam aliados

Nesta sexta-feira, presidente revelou que pediu aos advogados de Lulinha que não peçam o fechamento dos processos que investigam seu filho

14/08/2026 16h47 Atualizado 14/08/2026 16h47

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar nesta sexta-feira que o seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, "pagará" por eventuais desvios de conduta investigações. Em entrevista, o petista repetiu estratégia adotada para enfrentar críticas sobre os desdobramentos do escândalo no INSS. Meses atrás, segundo aliados, Lula teria perguntado, em uma ligação, sobre a amizade de Lulinha com a empresária Roberta Luchsinger, lobista também alvo de investigação.

De acordo com relatos, Lula teria questionado ao filho sobre a natureza da relação com Luchsinger, que é herdeira de um banqueiro suíço. Lulinha teria explicado ao pai que Luchsinger é amiga de sua esposa, Renata Moreira, há quase dez anos. O assunto foi tratado em uma ligação para tratar das suspeitas que envolvendo Fábio Luis.

A cobrança, ainda de acordo com pessoas próximas, ocorreu antes de o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro Santana, conhecido como Marcola, ser alvo da mesma apuração. Luchsinger repassou R$ 249 mil ao ex-assessor de Lula, em transação de pagamentos de boletos considerados "um empréstimo" por Marcola. 

A lobista é apontada pela Polícia Federal como uma peça-chave de um suposto esquema de tráfico de influência que vigorou no terceiro mandato do governo Lula. Investigações apuram suspeitas de que o primogênito do petista tenha cometido tráfico de influência em órgãos do governo. 

A empresária é próxima de petistas e integrantes do governo e chegou a ser candidata a deputada estadual em São Paulo pelo PT em 2018. Dona de uma empresa de consultoria, Luchsinger percorria a Esplanada dos Ministérios e órgãos públicos, representando empresas que tinham interesse em fechar contratos públicos.

Um dos serviços de consultoria oferecido por ela foi prestado ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", que chegou a lhe repassar R$ 1,5 milhão em cinco parcelas de cerca de R$ 300 mil pagas entre 2024 e 2025.

Segundo interlocutores, durante a ligação feita para tratar do assunto, Lula afirmou que a amizade entre Luchsinger e Fábio soa "estranha", especialmente por Fábio ser filho do presidente da República.

Ele teria questionado se a relação seria a mesma se Fábio Luis não fosse filho de Lula. Durante a conversa com o pai, primogênito explicou a Lula, segundo relatos, que sua esposa e Luchsinger "se gostavam como irmãs". 

Nesta sexta-feira, Lula revelou que pediu aos advogados de Lulinha que não peçam o fechamento dos processos que investigam seu filho mais velho:

— Ele jura por tudo que é sagrado que não tem nada, e eu acredito nele, mas eu já disse para aos advogados: "Ninguém vai pedir fechamento de processo do meu filho". Quer fazer inquérito, faça. Quero que seja investigado, como eu fui — disse Lula em entrevista ao podcast Não Inviabilize.

A defesa de Lulinha, comandada por Marco Aurélio de Carvalho, confirma que o presidente pediu que não houvesse solicitação de fechamento de investigações contra o filho:

— Lula pediu várias vezes (para advogados não pedirem fechamento do inquérito), queria afastar qualquer sentimento de que o filho teria algum tipo de privilégio, estava preocupado em não passar a mensagem de que tem uma Polícia Federal para chamar de sua — afirma Marco Aurélio de Carvalho, advogado de Lulinha. 

Na entrevista, o presidente também disse que Lulinha será responsabilizado caso fique comprovada a culpa nas investigações a que ele responde.

— Se meu filho tiver culpa, ele pagará. Ele já foi acusado de muitas coisas, toda eleição aparece meu filho. Só ele (Lulinha) sabe a verdade, eu não sei. Se ele fez ou não fez... Ele jura que não fez, então brigue — afirmou Lula.

Há dez dias, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a instauração de um terceiro inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha.

Os dois primeiros inquéritos apuram a relação do empresário com pessoas que buscavam contratos no Ministério da Saúde e no Dataprev, empresa pública de tecnologia responsável pela base de dados do INSS. Entre esses interlocutores estava Antônio Camilo Antunes, o "Careca do INSS", empresário suspeito de operacionalizar o desvio de recursos de aposentados e pensionistas.

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