Reunião pode redefinir relação bilateral, desgastada por embates públicos, críticas ideológicas e ameaças de sanções econômicas
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GERADO EM: 02/02/2026 - 13:30
Visita de Petro à Casa Branca busca aliviar tensões com EUA
A visita do presidente colombiano Gustavo Petro à Casa Branca ocorre em meio a tensões diplomáticas com os EUA, exacerbadas por críticas mútuas entre Petro e Donald Trump. A reunião busca redefinir uma relação desgastada, com Petro desejando a retirada da Colômbia da lista de países produtores de drogas e suspensão de sanções, enquanto Trump exige compromissos contra o aumento da produção de cocaína. A visita é vista como de alto risco, podendo impactar significativamente as relações comerciais entre os países.
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Petro pretende convencer Trump a retirar a Colômbia da lista de países produtores de drogas e a suspender sanções impostas a ele e a membros de sua família. Já o presidente americano quer compromissos mais firmes do governo colombiano para conter o aumento da produção de cocaína no país.
Segundo a Bloomberg, o encontro entre os dois adversários ideológicos é considerado de alto risco por analistas. Petro tem sido um crítico recorrente de Trump, atacando suas posições sobre Venezuela, Cuba e Gaza, além de políticas de imigração e mudanças climáticas.
O presidente colombiano também demonstra pouca disposição em adotar o tom deferente que Trump costuma exigir em encontros diplomáticos, um atrito que pode comprometer meses de esforços de empresários e diplomatas colombianos para evitar uma ruptura com potenciais impactos econômicos.
— É bastante imprevisível o que vai acontecer — afirmou Will Freeman, pesquisador de estudos latino-americanos do Conselho de Relações Exteriores. — No pior cenário, Petro tenta usar essa oportunidade para dar uma lição ou constranger Trump, o que não terminará bem — completou.
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De acordo com Freeman, um encontro malsucedido pode resultar em novos cortes na assistência de segurança à Colômbia ou até na imposição de tarifas. Os Estados Unidos compram cerca de 30% das exportações colombianas e respondem por aproximadamente 23% das importações do país.
Trump tem histórico recente de reuniões presenciais com desfechos variados. Seus encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o recém-eleito prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, foram descritos como cordiais. Já a reunião com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no ano passado, gerou tensão que acabou ofuscando discussões comerciais. Um encontro no Salão Oval com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em fevereiro de 2025, também deteriorou as relações entre os países.
O desgaste entre Washington e Bogotá se intensificou logo após o retorno de Trump ao poder, em janeiro de 2025. Na ocasião, Petro se recusou temporariamente a aceitar voos de deportação de imigrantes colombianos vindos dos EUA, levando Trump a ameaçar a imposição de tarifas punitivas. Diante do risco de um choque comercial, o governo colombiano recuou rapidamente.
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Desde então, Petro se consolidou como um dos críticos mais duros de Trump nas Américas, classificando sua agenda climática como “anti-humanidade” e suas políticas migratórias como “de estilo nazista”.
Em setembro, os Estados Unidos cancelaram o visto de Petro após ele participar de protestos em Nova York contra o conflito na Palestina e incentivar tropas a desobedecer ordens do governo americano. Washington também impôs sanções pessoais ao presidente colombiano e a integrantes de seu círculo próximo, sob acusação de facilitar o tráfico de drogas.
Trump, por sua vez, chamou Petro de “líder do narcotráfico”, “bandido”, “encrenqueiro” e “homem doente”, além de sugerir, em diferentes momentos, a possibilidade de ações militares contra a Colômbia.
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Houve uma breve trégua em janeiro, quando os dois líderes conversaram por telefone. No entanto, no dia seguinte, Petro voltou a criticar Trump publicamente.
Na semana passada, às vésperas da reunião, o colombiano voltou a testar os limites ao afirmar que os EUA deveriam devolver o líder venezuelano deposto, Nicolás Maduro, para ser julgado na Venezuela, classificando inicialmente a operação americana como uma agressão à soberania latino-americana.
De acordo com María Claudia Lacouture, presidente da Câmara de Comércio Colombiana-Americana (AmCham), a reunião deve abordar temas como segurança, imigração, comércio, infraestrutura e as relações da Colômbia com China e Venezuela.
(Com Bloomberg)