BC cita expectativas de inflação 'menos distantes' da meta e diz que grau de redução dos juros será determinado ao longo do tempo
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BC cita expectativas de inflação 'menos distantes' da meta e diz que grau de redução dos juros será determinado ao longo do tempo

Na ata, BC reforçou plano de início de corte da Selic em março, mas sinalizou preocupação com dinamismo do mercado de trabalho

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    GERADO EM: 03/02/2026 - 09:10

    Banco Central Sinaliza Corte na Selic com Inflação Mais Controlada

    O Banco Central do Brasil destacou uma melhora no ambiente inflacionário, com expectativas de inflação mais próximas da meta de 3,0%. Na ata do Copom, foi sinalizado o início de cortes na taxa Selic em março, apesar de preocupações com o mercado de trabalho. A Selic está em 15% desde 2025 e a redução dependerá de fatores como a dinâmica do mercado de trabalho e a convergência da inflação à meta. O BC projeta que a inflação chegará a 3,2% em 2027.

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    O Banco Central destacou nesta terça-feira a melhora do ambiente inflacionário e as expectativas de inflação "menos distantes" da meta de 3,0% na ata para justificar sua decisão de sinalizar o início do corte de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em março.

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  • Na ata do Copom, o colegiado, porém, sinalizou desconforto com o dinamismo do mercado de trabalho e disse que o tamanho do ciclo será determinado ao longo do tempo para garantir a convergência da inflação à meta de 3,0%.

    A taxa Selic está parada em 15% ao ano, maior nível em quase 20 anos, desde junho de 2025. De lá para cá, foram cinco reuniões e o BC vinha mantendo até janeiro, em meio a reclamações crescentes do governo, um tom bastante duro para assegurar o alívio inflacionário .

    "Após a análise de um amplo conjunto de informações, incluindo a dinâmica recente da inflação e os sinais mais claros de transmissão da política monetária, considerando suas defasagens, o Comitê julgou adequado sinalizar o início de um ciclo de redução da taxa de juros em sua próxima reunião", disse o Copom, na ata.

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    Segundo o BC, houve aprofundamento da discussão sobre ajustes nos juros após a avaliação de que a estratégia de manutenção da taxa Selic por período bastante prolongado tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta, e em um contexto de melhora do quadro inflacionário.

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  • O alvo é de 3,0%, embora a meta seja considerada cumprida se a inflação ficar no intervalo entre 1,5% e 4,5%. O IPCA - índice de inflação oficial - fechou 2025 em 4,26%, mas o BC projeta que chegará a 3,2% no terceiro trimestre de 2027, prazo com o qual trabalha atualmente para cumprir sua obrigação institucional.

    "Após avaliar que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta, o Comitê se aprofundou na discussão sobre calibração da política monetária, no contexto atual de um ambiente de melhora do cenário inflacionário corrente e expectativas de inflação menos distantes da meta, que proporciona maiores evidências sobre a transmissão da política monetária."

    No comunicado da semana passada, o BC já havia deixado claro que pretende iniciar o ciclo de redução da taxa Selic na próxima reunião do Copom, mas que os juros devem continuar em nível restritivo para garantir a convergência da inflação à meta de 3,0%.

    "O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária", disse o Copom, no comunicado divulgado após a reunião da última quarta-feira.

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  • Na ata, o Copom destacou que a condução cautelosa da política monetária tem contribuído para se observar ganhos desinflacionários e reafirmou mais uma vez o firme compromisso com o mandato do Banco Central de levar a inflação à meta. Por isso, ressaltou a necessidade de os juros permanecerem em níveis restritivos (que desincentivam o crescimento da atividade) até que "se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas à meta".

    No documento divulgado nesta terça-feira, o colegiado sinalizou que o maior desconforto é com o dinamismo ainda observado no mercado de trabalho, principal fator que pressiona os preços correntes e esperados. A taxa de desemprego fechou 2025 em trajetória decrescente, em 5,1%, menor nível da série histórica.

    Ainda segundo a ata, esse entendimento cuidadoso é compartilhado de forma unânime entre os diretores do BC. Atualmente, o colegiado tem sete integrantes. As diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução estão vagas desde o início deste ano após a saída de Diogo Guillen e Renato Dias Gomes.

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  • "Ao mesmo tempo, de maneira unânime, o Comitê reafirma a necessidade da manutenção do patamar de juros em níveis restritivos, até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas à meta, dada a resiliência de fatores que pressionam preços tanto correntes quanto esperados, em especial do dinamismo ainda observado no mercado de trabalho."

    Nesse contexto, o BC afirmou que a magnitude e a duração do ciclo de queda da Selic serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises, permitindo uma avaliação mais precisa.

    "Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços ainda dificultam a identificação de tendências claras."

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    Principal fator de desconforto em relação ao cenário inflacionário, o mercado de trabalho está sendo acompanhado detidamente, segundo o BC. "No período mais recente, a taxa de desemprego tem se mantido em patamares historicamente baixos enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho."

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  • O colegiado ainda afirmou que segue atento ao debate sobre as dimensões corrente e estrutural do mercado de trabalho, enfatizando a necessidade dessa análise para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, por fim, para os preços dos diversos setores da economia.

    De maneira geral, o BC avalia que a atividade econômica no Brasil manteve trajetória de moderação no crescimento, como era esperado pelo comitê, e relembra que o arrefecimento é "elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta".

    O colegiado ressaltou que a moderação e a própria heterogeneidade das trajetórias de crescimento entre diferentes setores e mercados são compatíveis com a política monetária em curso. Enquanto mercados mais sensíveis às condições financeiras apresentam maior desaceleração, mercados mais sensíveis à renda apresentam maior resiliência.

    Em relação ao comportamento inflacionário, fez uma avaliação mais positiva. Segundo o BC, as leituras recentes indicam um arrefecimento da inflação que abrange tanto o índice cheio quanto em aberturas e medidas subjacentes.

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    O Copom destacou que a combinação de um câmbio mais apreciado e um comportamento mais benigno das commodities contribuiu para redução nas inflações de bens industrializados e alimentos. No caso da inflação de serviços, também houve algum arrefecimento, na avaliação do BC, ainda que mais resiliente, o que responde a um mercado de trabalho que segue dinâmico e a uma atividade que tem apresentado moderação gradual.

    "Mantém-se, de um lado, a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista por um período bastante prolongado e, de outro, a interpretação de que a política monetária tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada."

    Quanto às expectativas de inflação, a avaliação foi de que seguiram trajetória de queda, mas ainda acima da meta.

    "O Comitê avalia que perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária favorecerão a continuidade desse movimento, importante para a convergência da inflação à meta com menor custo. A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado."

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  • No cenário externo, por sua vez, a avaliação do BC foi de que as condições recentes sugerem "algum arrefecimento" na incerteza, embora os riscos de longo prazo se mantenham. O BC fez menção ao aumento das tensões geopolíticas e disse que os desdobramentos estão sendo monitorados.

    "Elevações das tensões geopolíticas e seus desdobramentos seguem sendo monitorados, porém no contexto atual os preços das principais commodities permaneceram contidos, e as condições financeiras, favoráveis."

    O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, destacou que o BC reconhece de maneira mais firme o processo de desinflação na ata do Copom, mas notou que o mercado de trabalho é uma variável-chave para os próximos passos de política monetária.

    — A preocupação está com preços de serviços, principalmente, ao meu ver, nos intensivos em mão de obra, muito por conta do mercado de trabalho que segue bastante aquecido no Brasil. Esse é um ponto que foi sinalizado pelo BC como um fator de atenção, que o mercado de trabalho segue apertado e é uma variável-chave que vai monitorar em próximas decisões.

    Sung ainda destacou que o BC não deu sinalizações sobre o tamanho do ciclo de corte de juros, decisão, segundo ele, acertada em um momento que as expectativas de inflação seguem acima da meta.

    — Os cortes serão decididos reunião a reunião. Acho que é fato bastante importante, porque de fato tem que adotar postura bastante cautelosa nessa transição da economia brasileira de desaceleração da atividade e desinflação. As expectativas de inflação melhoraram, mas ainda estão acima da meta. Então o BC precisa manter essa cautela para levar a inflação à meta.

    Por enquanto, Julio Barros, economista do Daycoval, espera uma redução de 0,25 ponto percentual em março, para 14,75%, mas destacou que a ata deixa em aberto o ritmo de queda dos juros a depender dos próximos dados divulgados.

    — Daqui até a próxima reunião então não está descartado um começo de ciclo mais intenso . Mas por enquanto, dado ainda que as expectativas ainda estejam desancoradas, a inflação, em especial de serviços, ainda está bem acima da meta, e o mercado de trabalho ainda tem sinais de pressão, a gente entende que começar com 0,25pp faça sentido

    O economista-chefe do BMG, Flávio Serrano, por sua vez, já aguarda uma queda de 0,50pp em março, para 14,50%. No total, Serrano espera uma redução de 3,00 pontos, para 12%. Segundo o economista, as possíveis indicações para as diretorias do BC não trazem preocupação sobre o processo de ajuste na Selic, cuja aproximação do ínicio do corte já estava claro.

    — A questão não era se. Mas quando. Já sabemos quando. Agora, a dúvida é o ritmo e a extensão. Mas o que balizaria isso seria a evolução do cenário. Acho que, no curto prazo, temos de positivo inflação e atividade mais fracas. Mas mercado de trabalho segue a principal incerteza. Tudo isso já era sabido. Então vemos espaço no curto prazo para cortes. Mas, mais pra frente, o mercado de trabalho pode limitar o ajuste total.

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