Apagão ultrapassa 30h: Comerciantes correm atrás de geradores e moradores enfrentam dificuldade com portarias no centro de SP
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Apagão ultrapassa 30h: Comerciantes correm atrás de geradores e moradores enfrentam dificuldade com portarias no centro de SP

Companhia afirma que problema foi solucionado para maior parte dos clientes na noite de ontem, e que problema persiste para 186 imóveis, entre prédios e estabelecimentos

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    GERADO EM: 04/02/2026 - 11:25

    Queda de Energia em SP: 186 Imóveis Ainda Sem Luz Após Falha

    Após uma falha na rede subterrânea, a Enel informou que 99% dos clientes no centro de São Paulo tiveram energia restabelecida, mas 186 imóveis ainda estão sem luz. Moradores enfrentam dificuldades com portarias e escadas, enquanto comerciantes buscam geradores para evitar prejuízos. A falta de informações claras gerou transtornos em bairros como Higienópolis e Bela Vista. A Enel segue trabalhando para normalizar a situação.

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    A crise energética que paralisou o Centro de São Paulo começa a dar sinais de arrefecimento, mas ainda deixa um rastro de prejuízos e incertezas. Cerca de 24 horas após o início do apagão, a Enel informou, às 18h45 desta quarta-feira, que o fornecimento foi reestabelecido para a grande maioria dos 20 mil clientes atingidos na véspera. Entretanto, a normalização ainda é frágil: 186 imóveis, entre torres residenciais e pontos comerciais, permanecem no escuro, enquanto outros endereços dependem de geradores provisórios para manter as luzes acesas.

    Além da interrupção, a falta de informações claras sobre a previsão de normalização causou transtornos a moradores e comerciantes. Com alta densidade populacional, bairros como Higienópolis, Bela Vista, Vila Buarque e Consolação, que tiveram a serviço interrompido, concentram numerosos edifícios residenciais e comerciais, o que agravou os impactos do problema.

    Moradores relataram dificuldades para subir e descer diversos lances de escada, além de problemas com portões automáticos e outros serviços, enquanto empresários, sem saber quando o serviço seria retomado, correram para contratar geradores particulares para evitar prejuízos.

    Responsável pela Mercearia Sabará, em Higienópolis, Audrey Fernandes contou que a energia foi interrompida por volta do meio-dia de ontem e que, apesar de sucessivas tentativas de contato com a Enel, não recebeu uma estimativa de retorno. O fornecimento foi restabelecido apenas por volta das 19h, quando ela já se preparava para retirar insumos do local.

    — Como eu tenho fogão a gás, consegui manter o restaurante funcionando, mas o movimento caiu muito, porque muita gente não conseguia descer dos prédios. Quem desceu dez andares veio, os outros não. Isso aconteceu no bairro inteiro. Eu já estava desesperada, com medo de ser como da outra vez, quando ficamos dias sem luz — disse. — Eu já estava levando carnes e salgados para a casa de amigos e parentes em outros bairros para não perder mercadoria quando, nesse momento, a energia voltou.

    Audrey afirmou que nem chegou a ligar para a concessionária, ciente da dificuldade em obter informações, mas relatou que vizinhos que entraram em contato receberam previsões diferentes a cada ligação.

    — Teve um momento em que disseram: 'Olha, há mais de 1.200 registros aqui, então não conseguimos mais estimar o horário' — relatou.

    Na Padaria Boulevard, também em Higienópolis, funcionários afirmaram que, assim que a energia caiu, os responsáveis decidiram contratar um gerador particular. A medida, inédita para o estabelecimento, foi tomada devido a experiências anteriores, quando a demora na retomada do fornecimento resultou na perda de produtos.

    A contratação do equipamento foi feita por hora. Mesmo após a volta da energia, os operadores do gerador permaneceram no local até o fim do período contratado.

    Carlos Alberto Heilmann, procurador federal membro da Advocacia Geral da União (AGU), que mora em Higienópolis, diz que ainda nesta manhã sua residência estava sem energia. A volta, disse, foi parcial, com algumas fases das tomadas funcionando e outras não, o que impedia seu trabalho.

    Apesar de ter escapado do transtorno de subir e descer muitos lances de escadas, por ser morador do primeiro andar, o procurador pontua que ainda enfrentou problemas.

    — Eu estava com o freezer cheio, e vou ter que ver, mas acho que vou perder essas carnes. E moro próximo de um açougue, a gente vê o que esse problema causa — afirmou Heilmann, que reclamou do serviço prestado para Enel.

    Segundo a concessionária, técnicos realizam uma varredura minuciosa, galeria por galeria, ao longo de toda a extensão da malha subterrânea. O trabalho é exaustivo e enfrenta barreiras físicas, como o acúmulo de água de chuva ou esgoto e o calor extremo no subsolo, que impede a entrada imediata das equipes. O diagnóstico depende de máquinas que enviam sinais pela rede para identificar o ponto exato da interrupção, onde, finalmente, é necessária a intervenção manual em condições insalubres.

    Em nota, a concessionária informou que a maioria dos clientes teve o serviço restabelecido por volta das 19h e que, no momento, técnicos seguem atuando para normalizar o fornecimento para cerca de 186 clientes.

    "A Enel Distribuição São Paulo informa que o fornecimento de energia foi normalizado para os cerca de 20 mil clientes afetados ontem pela ocorrência na rede subterrânea que atende parte da região central da capital. Algumas unidades seguem abastecidas via geradores, disponibilizados pela companhia, para reparos finais na rede".

    O apagão aconteceu antes das chuvas que atingiram a capital na tarde de ontem. Como se tornou comum para o paulistano, as chuvas começaram a vir com a possibilidade da interrupção no serviço de energia. O tema virou uma queda de braço entre a prefeitura e a Enel. Um responsabiliza o outro pela manutenção e pelo serviço de podas das árvores, que geralmente, ao cair devido aos ventos, causam problemas para a rede elétrica.

    — É aquela novela que a gente já está muito acostumado, infelizmente, de que a Enel presta um mal serviço — reclamou o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

    De acordo com o dirigente municipal, que defende a caducidade do contrato de concessão da empresa, até a entrega de projetos do Executivo Municipal, como a inauguração de escolas e conjuntos habitacionais, atrasam por conta da demora da empresa em fazer a ligação dos serviços de energia.

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