A suspeita consta no pedido de prisão preventiva apresentado pelo MP e foi considerada relevante pelo Judiciário
atualizado
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O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) afirmou à Justiça que há indícios concretos de tentativa de combinação de depoimentos para favorecer Pedro Arthur Turra Basso, investigado por uma série de agressões, incluindo o espancamento que deixou um adolescente em coma profundo. Ele foi preso nesta sexta-feira (30/1).
A suspeita consta no pedido de prisão preventiva apresentado pelo MP e foi considerada relevante pelo Judiciário ao analisar a necessidade da custódia cautelar.
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Segundo o MP, mensagens trocadas entre o investigado e pessoas do seu círculo próximo indicam uma articulação prévia de versões com o objetivo de sustentar uma possível tese de legítima defesa e transferir à vítima a responsabilidade pelo início da violência.
Narrativa construída após a agressão
De acordo com os autos, logo após o crime mais recente, surgiram registros de conversas em aplicativos de mensagens sugerindo que testemunhas alinhadas ao investigado deveriam afirmar que a vítima teria provocado o confronto ou até mesmo sacado um canivete.
Para o MP, esse tipo de orientação não apenas compromete a espontaneidade dos depoimentos, como afronta diretamente a busca da verdade real, princípio basilar do processo penal.
“A existência de diálogo sugerindo a combinação de versões evidencia tentativa de interferência na produção da prova”, sustenta o Ministério Público.
Testemunhas vulneráveis
Outro fator que elevou a preocupação das autoridades é o perfil das testemunhas. Parte delas é composta por menores de idade, o que, segundo o MP, aumenta o risco de intimidação direta ou indireta.
Padrão que se repete
A suspeita de combinação de depoimentos não se limita ao episódio mais recente. Conforme destacado no relatório do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPDFT), versões semelhantes também apareceram em ocorrências anteriores envolvendo Pedro Turra.
Em ao menos dois casos, testemunhos apresentados à polícia seguiram uma mesma linha narrativa, sempre atribuindo à vítima a origem do conflito e minimizando a violência empregada.
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