O primeiro encontro do projeto Agenda Santos 500+ debateu Demografia com a presença de especialistas — Foto: Divulgação
A constatação foi apresentada pelo sociólogo e demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, com base em informações do Censo 2022 do IBGE. Segundo o especialista, o município tem um Índice de Envelhecimento de 175,7 — indicador que compara a população idosa (acima de 60 anos) com a população jovem (até 14 anos).
“O Brasil vive uma inversão rápida. Em poucas décadas, teremos mais idosos do que jovens. Em Santos, essa realidade já chegou antes”, afirmou Alves, destacando que o fenômeno exige planejamento, mas também abre novas possibilidades sociais e econômicas.
Transformação no perfil da população
Transformação no perfil da população
Durante o encontro, dados organizados pela Fundação Seade, a pedido de A Tribuna, mostraram como o perfil etário santista mudou nas últimas décadas. Em 1980, cerca de 26% da população tinha até 15 anos. Hoje, esse número caiu para pouco mais de 14%. No sentido oposto, o grupo acima de 60 anos passou de 9% para mais de 26%.
As projeções indicam que essa tendência continuará avançando até 2040, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas ao envelhecimento ativo e à reorganização dos serviços urbanos.
Experiência como ativo social
Experiência como ativo social
Para os participantes do painel, o aumento da longevidade não pode ser visto apenas como problema. Alves ressaltou que o envelhecimento pode representar uma oportunidade de reorganização social, desde que acompanhado de inclusão e valorização da experiência.
“Ainda existe a ideia de que o idoso é sinônimo de incapacidade. Mas essa população pode contribuir muito com trabalho, conhecimento e participação comunitária”, defendeu.
O engenheiro Alexandre Euzébio, diretor de Ensino e Pesquisa da Fundação Cenep, reforçou a importância do convívio entre gerações, especialmente no mercado de trabalho.
“Estamos desperdiçando uma reserva enorme de conhecimento técnico. A intergeracionalidade precisa ser um eixo estratégico para o futuro”, disse.
Espaços urbanos mais inclusivos
Espaços urbanos mais inclusivos
A urbanista Gabriela Vasconcelos, coordenadora de projetos do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro/Insper, destacou que o envelhecimento da população exige mudanças no desenho urbano.
“Os espaços públicos precisam voltar a ser locais de convivência segura. Isso é fundamental para combater o isolamento e o etarismo”, afirmou, defendendo uma cidade mais acessível e atrativa para todas as idades.
Saúde além da doença
Saúde além da doença
O médico Chao Lung Wen, professor da Faculdade de Medicina da USP e referência nacional em telemedicina, lembrou que o debate sobre longevidade vai além da ampliação de leitos ou medicamentos.
“Envelhecer não é apenas lidar com doenças. É falar de bem-estar, qualidade de vida e cuidado contínuo”, explicou, citando a tecnologia como ferramenta importante para acompanhamento da população idosa.
O secretário municipal de Saúde, Fábio Lopez, apresentou ações já em andamento, como campanhas de vacinação e fortalecimento da Estratégia de Saúde da Família, mas alertou para o alto índice de faltas em consultas especializadas.
Planejamento para os próximos 20 anos
Planejamento para os próximos 20 anos
O prefeito Rogério Santos abriu o encontro destacando que pensar os 500 anos da cidade passa necessariamente pela compreensão do cenário demográfico atual.
“Santos sempre teve um histórico inovador. Planejar o futuro é entender quem somos hoje e como vamos envelhecer como cidade”, afirmou.
O secretário de Governo, Fábio Ferraz, também avaliou o debate como essencial para integrar desenvolvimento social e econômico.
“Uma população com mais experiência precisa estar inserida de forma ativa, participando da construção do futuro”, disse.
Próximos encontros
Próximos encontros
O primeiro encontro do projeto Agenda Santos 500+ debateu Demografia com a presença de especialistas — Foto: Divulgação