O crescimento de 32% das exportações do Brasil para a Argentina mostra que, quando o assunto é dinheiro e relações comerciais, a ideologia política tem pouca influência e fica na maior parte das vezes restrita ao discurso das autoridades. Milei ajudou Lula a contornar o tarifaço de Trump no ano passado, embora o aumento da exportação para a China tenha mais do que compensado a queda para o mercado americano. No fim, a exportação total foi recorde.
As vendas para os Estados Unidos caíram 6,6% em 2025, o que significou um recuo de US$ 40,36 bilhões para US$ 37,71 bi. Uma perda, portanto, de US$ 2,65 bilhões. Para a Argentina, por outro lado, as vendas subiram de US$ 13,77 bilhões para US$ 18,1 bi, um ganho adicional de US$ 4,4 bilhões.
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Para os chineses, o aumento foi ainda maior, de US$ 5,65 bilhões, o que fez as vendas brasileiras para o país atingirem pela primeira vez o patamar de US$ 100 bilhões. O Brasil continua dependendo fortemente da China, que lidera com folga o ranking entre os nossos parceiros comerciais.
Outro dado importante sobre esse assunto foi que as exportações bateram recorde para 40 países, incluindo Canadá, Índia, Turquia e Uruguai. O mundo hoje é globalizado, e ainda que os exportadores sofram no curto prazo, arranja-se um jeito de redirecionar produtos para driblar barreiras comerciais. Se o produto tem qualidade e o preço é competitivo, encontra-se comprador.
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Olha-se pouco para as importações, mas as compras internacionais também são importantes, e elas cresceram 6,7%. A importação de bens de capital deu um salto de 23,7%, o que significa investimentos feitos por empresas que podem melhorar a nossa competitividade.
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Tudo isso fez a corrente de comércio (soma das exportações e das importações) atingir US$ 629 bilhões e bater novo recorde histórico. O que menos importa é a queda do saldo comercial, que recuou 7,9% para US$ 68 bilhões.
Não fosse o tarifaço americano e a comoção que a medida de Trump causou, esses números passariam quase despercebidos, e a queda para os EUA teria sido considerada algo pontual e dentro da volatilidade que acontece nos dados de balança exterior.
Mas os bolsonaristas passaram a prever um colapso econômico no Brasil, que forçaria os três Poderes a conceder uma anistia que beneficiaria o ex-presidente Jair Bolsonaro. Um erro de cálculo econômico mas, principalmente, político - que ajudou Lula a surfar na onda para recuperar popularidade.