O governo Trump abriu uma investigação criminal contra democratas eleitos em Minnesota, uma escalada significativa na disputa entre o governo federal e as autoridades locais sobre a repressão agressiva à imigração em curso na cidade, de acordo com um alto funcionário da polícia familiarizado com o assunto.
PUBLICIDADE
A investigação se concentrará nas alegações de que o governador Tim Walz e Jacob Frey, prefeito de Minneapolis, conspiraram para obstruir o trabalho de milhares de agentes federais enviados à cidade desde o mês passado. Na semana passada, um desses agentes matou Renee Good, uma mulher de 37 anos.
Ainda não está claro quais medidas investigativas foram tomadas. O alto funcionário da polícia disse que as intimações ainda não foram emitidas, mas que isso poderia acontecer nos próximos dias. Tanto Walz quanto Frey responderam com declarações combativas na noite desta sexta-feira, 16, denunciando o que consideraram um uso instrumental do poder policial e prometendo manter-se firmes diante dos esforços do governo.
“Instrumentalizar o sistema de justiça e ameaçar oponentes políticos é uma tática perigosa e autoritária”, disse Walz em um comunicado divulgado por seu gabinete, que afirmou ainda não ter recebido notificação de uma investigação. “A única pessoa que não está sendo investigada pelo disparo contra Renee Good é o agente federal que atirou nela.”
Publicidade
Frey descreveu a investigação como uma “tentativa óbvia de intimidá-lo”, mas jurou que não funcionaria. “Os Estados Unidos dependem de líderes que usem a integridade e o Estado de Direito como princípios norteadores da governança”, disse ele. “Nem nossa cidade nem nosso país sucumbirão a esse medo. Permanecemos firmes como uma rocha.”
O assassinato de Good, uma mãe desarmada de três filhos, levou a protestos contínuos contra os agentes em Minneapolis. Frey, logo após a morte de Good, usou um palavrão para exigir que os agentes deixassem a cidade. Walz também criticou duramente a conduta dos agentes.
Os líderes do Departamento de Justiça, por sua vez, prometeram prender qualquer pessoa que impeça o trabalho de agentes federais, e a nova investigação busca determinar se democratas de alto escalão no estado conspiraram para obstruir a aplicação da lei.
A notícia da investigação, divulgada anteriormente pela CBS News, surgiu apenas dois dias depois de Todd Blanche, o procurador-geral adjunto, ter publicado uma mensagem nas redes sociais, acusando Walz e Frey de “incentivarem a violência contra as forças da lei” e referindo-se às suas ações como “terrorismo”.
Publicidade
Leia também
Autoridade aérea dos EUA alerta para ‘atividade militar’ sobre o México e a América Central
Autoridade aérea dos EUA alerta para ‘atividade militar’ sobre o México e a América Central
Fundação do Nobel reage após María Corina dar medalha a Trump: ‘Prêmio é inseparável do laureado’
Fundação do Nobel reage após María Corina dar medalha a Trump: ‘Prêmio é inseparável do laureado’
Joe Rogan, podcaster apoiador de Trump, compara ICE à polícia nazista: ‘Vamos nos tornar a Gestapo?’
Joe Rogan, podcaster apoiador de Trump, compara ICE à polícia nazista: ‘Vamos nos tornar a Gestapo?’
Embora tanto o governador quanto o prefeito tenham criticado os agentes envolvidos na repressão à imigração e, por vezes, tenham instado os moradores locais a documentarem suas ações, não há evidências públicas de que qualquer um dos dois tenha incentivado explicitamente a violência — muito menos se envolvido em atos de terrorismo. Ambos pediram aos manifestantes que mantivessem a paz.
Ainda assim, os crescentes protestos públicos em Minneapolis irritaram o presidente Trump, que ameaçou invocar a Lei da Insurreição e enviar as forças armadas para a cidade. Em uma publicação nas redes sociais na quinta-feira, Trump chamou os manifestantes em Minnesota de “agitadores profissionais”, mas não apresentou provas para sustentar suas alegações contra o que, segundo a maioria, são cidadãos comuns.
Nesta sexta-feira, porém, Trump pareceu recuar da sua ameaça. “Não acho que precise disso agora”, disse ele aos repórteres, referindo-se à Lei da Insurreição.
No mesmo dia, uma juíza federal em Minneapolis emitiu uma ordem impondo diversas restrições à forma como os agentes federais podem lidar com pessoas que protestam contra a repressão. Horas antes, Keith Ellison, procurador-geral de Minnesota, havia dito à juíza Kate M. Menendez que a promessa de Trump de usar a Lei da Insurreição era “injustificada”. Mas Ellison também afirmou que se tratava de “uma ameaça imediata e urgente”.
Publicidade
Departamento de segurança alega legítima defesa; versão é contestada por autoridades locais. Crédito: Reprodução/redes sociais
CONTiNUA APÓS PUBLICIDADE
Tudo isso aconteceu enquanto Blanche e Kash Patel, diretor do FBI, viajavam para Minneapolis para coordenar a resposta das forças de segurança federais. Patel prometeu reprimir todos os manifestantes violentos e investigar o que ele chama de “redes de financiamento” que apoiam essas pessoas.
Nesta sexta-feira à noite, Blanche publicou uma mensagem nas redes sociais, dizendo que havia se reunido com funcionários do escritório do procurador dos EUA em Minneapolis e visitado alguns agentes de imigração.
“Apoiamos aqueles que cumprem seus deveres legais para proteger a segurança pública e PROCESSAREMOS qualquer pessoa que os ataque ou obstrua”, escreveu Blanche, parecendo insinuar a investigação. “Forneceremos TODOS os recursos necessários para apoiar a aplicação das leis de imigração, acusaremos QUALQUER PESSOA que impeça ou agrida agentes federais e combateremos a fraude desenfreada em Minnesota.”
Autoridades federais já sinalizaram que provavelmente não apresentarão acusações criminais contra Jonathan Ross, o agente que matou Good. Ao mesmo tempo, afirmaram que as autoridades policiais provavelmente investigarão a companheira da Good, Becca Good, e quaisquer possíveis ligações que as duas possam ter tido com ativistas locais.
Publicidade
Essa decisão levou pelo menos seis procuradores federais a se demitirem esta semana do escritório do procurador dos EUA em Minneapolis.