Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) concordaram nesta quinta-feira, 29, em designar a Guarda Revolucionária do Irã como uma “organização terrorista”, após a repressão aos protestos no país. A informação foi confirmada pela alta representante da UE para Relações Exteriores, Kaja Kallas
“Qualquer regime que mate milhares de seus próprios cidadãos trabalha para sua própria destruição”, afirmou Kaja à margem de uma reunião em Bruxelas.
Com a inclusão da Guarda Revolucionária do Irã na lista da UE, os europeus se somam a outros países que já adotaram a mesma classificação, como Estados Unidos, Canadá e Austrália.
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Os membros da UE também decidiram nesta quinta-feira impor sanções a vários funcionários iranianos, incluindo o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, o chefe da Polícia de Segurança Pública, Seyed Majid Feiz Jafari, e diversos líderes da Guarda Revolucionária.
A lista dos sancionados, que inclui 15 pessoas e seis entidades, foi publicada no Diário Oficial da UE. Entre as medidas, estão a proibição de entrar na UE e o congelamento de ativos no território dos 27 países-membros do bloco.
Repercussão
A decisão repercutiu dentro e fora da UE. “‘Terrorista’, é assim que se qualifica um regime que reprime com sangue as manifestações de seu próprio povo”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
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Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que a decisão representa um “grande erro estratégico”. “Diversos países estão atualmente tentando evitar a eclosão de uma guerra total em nossa região. A Europa, por sua vez, está ocupada atiçando as chamas”, escreveu Araghchi no Facebook.
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“Depois de buscar o ‘restabelecimento automático’ das sanções a pedido dos EUA, agora cometem outro grande erro estratégico ao designar nossas Forças Armadas Nacionais como uma suposta ‘organização terrorista’”, acrescentou, em referência à retomada das sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o Irã, acionadas por potências europeias no ano passado.
Para o Exército do Irã, a medida é “irresponsável e motivada por rancor”. “A ação ilógica, irresponsável e motivada por rancor da União Europeia foi, sem dúvida, tomada em obediência inquestionável às políticas hegemônicas e anti-humanas dos EUA e do regime sionista”, afirmou o Estado-Maior das Forças Armadas, em comunicado divulgado pela Agência de Notícias da República Islâmica (IRNA, na sigla em inglês), controlada pelo Ministério da Cultura do Irã. / COM INFORMAÇÕES DA AFP