PGR se manifesta contrária aos mandados de busca em endereços de pessoas ligadas ao senador Weverton Rocha
André Mendonça, no entanto, determinou que a PF vasculhasse o endereço de 11 alvos no Maranhão e Dsitrito Federal
04/08/2026 10h49 Atualizado 04/08/2026 11h08
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contrária aos mandados de busca e apreensão pedidos pela Polícia Federal na nova fase da Operação Sem Desconto, que mirou em familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e no advogado Willer Tomaz. O posicionamento do Ministério Público Federal, comandado pelo procurador Paulo Gonet, foi citado em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso INSS na Corte. O MPF defendeu medidas "menos ostensivas", como quebras de sigilo.
Mendonça, no entanto, acatou à solicitação da PF e determinou 18 mandados de buscas no Distrito Federal e no Maranhão, além de quebras de sigilo de dados telefônicos. A PF investiga um suposto esquema de saque e transporte de valores em espécie por pessoas ligadas ao senador, que não é alvo direto desta fase da Operação. Uma máquina de contar dinheiro foi encontrada na casa de um dos alvos durante o cumprimento dos mandado nesta terça-feira.
"Em seu parecer nos autos, o Ministério Público Federal se manifestou pelo indeferimento das medidas de busca e apreensão. Pondera que, ainda que o conjunto de indícios colhido até o momento desenhe um quadro verossímil de eventos, medidas menos ostensivas, como quebras de sigilo, poderão servir para confirmar, com a consistência necessária, a origem dos recursos movimentados pelos investigados, as conexões financeiras entre si estabelecidas e o possível descompasso patrimonial", diz trecho da decisão de Mendonça.
Em nota, o advogado Willer Tomaz afirmou que "não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal", e ressaltou que a operação "decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público".
"A disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados. O advogado reitera que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e confia na apuração serena dos fatos, certo de que sua conduta em nada se relaciona com o objeto da operação", disse ele, no texto.
Senador alvo
Diferente de hoje, o senador Weverton Rocha foi um dos alvos de mandado de busca e apreensão da operação Sem Desconto em dezembro do ano passado. A Polícia Federal apontou que o senador teria se beneficiado do suposto esquema de recursos desviados do INSS por meio de descontos indevidos a aposentados e pensionistas. A representação policial informava que Weverton era "liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras" de Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", peça-chave no esquema de descontos indevidos.
Na ocasião, o senador disse em nota que "recebeu com surpresa a busca na sua residência" e que "com serenidade se coloca à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas assim que tiver acesso integral à decisão".
Em maio de 2025, O GLOBO mostrou que um dos principais personagens do escândalo das fraudes no INSS, o "Careca do INSS", esteve na casa do senador, em Brasília, durante um "costelão" (churrasco de costela). Os dois também já se encontraram no Senado. Dados sobre os gabinetes visitados por Antônio Antunes foram solicitados, mas o Senado, presidido por Davi Alcolumbre (União-AP), nunca autorizou a sua divulgação.
Na época, Weverton confirmou os encontros. "Conheci Antônio Carlos Camilo Antunes em um costelão na minha casa, para a qual ele foi levado por um convidado. Na ocasião, ele se apresentou como empresário do setor farmacêutico", disse Weverton em nota enviada ao GLOBO.
Weverton contou que recebeu o Careca do INSS em seu gabinete no Senado ao menos três vezes "para tratar da pauta legislativa de legalização da importação de produtos à base de cannabis para fins medicinais".