Candidato de Zema diz que 'cadáveres' tentam ressuscitar em MG e cita Eduardo Cunha, que rebate: '5º lugar'
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Candidato de Zema diz que 'cadáveres' tentam ressuscitar em MG e cita Eduardo Cunha, que rebate: '5º lugar'

Ex-deputado negou ter participação em articulações do Republicanos sobre candidatura do senador Cleitinho Azevedo

Por O Globo — Rio de Janeiro

03/08/2026 09h35 Atualizado 03/08/2026 09h43

Confirmado na disputa para o governo mineiro, o atual governador Mateus Simões (PSD) trocou críticas com o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos), que recentemente transferiu seu domicílio eleitoral para Minas Gerais. Durante a convenção do diretório estadual do PSD, realizada neste domingo, o sucessor do ex-governador Romeu Zema (Novo) criticou a influência de lideranças nacionais na corrida por lá e atribuiu a indefinição das chapas majoritárias à polarização no país.

  • Recuo do recuo: Republicanos se reúne para reavaliar veto a candidatura de Cleitinho em Minas
  • Clãs divididos: Políticos de famílias com tradição nas urnas concorrerão em lados opostos
  • A jornalistas, Simões afirmou que "oportunistas de plantão" têm se aproveitado da demora nas articulações e citou o nome de Eduardo Cunha, que tenta voltar à Câmara este ano por Minas Gerais.

    — A polarização levou ao retardamento das decisões e os oportunistas de plantão viram aí uma possibilidade de ressuscitar cadáveres como o de Eduardo Cunha. Afinal de contas, eu continuo me perguntando como é que um presidiário cassado do Rio de Janeiro veio parar em Minas Gerais para ser candidato a deputado estadual — disse Simões.

    Este ano, Cunha já disse ter escolhido o estado de Minas Gerais para ser candidato a deputado federal porque o território mineiro "é a síntese do Brasil". Presidente da Casa entre 2015 e 2016 — quando teve o mandato cassado em decorrência de escândalos ligados à Operação Lava-Jato —, ele tentou se eleger em 2022 por São Paulo, mas não conseguiu. Antes, Cunha foi deputado federal por quatro mandatos consecutivos sendo eleito pelo Rio de Janeiro entre 2003 e 2018. Depois, evitou dividir o eleitorado fluminense com a filha, a deputada Dani Cunha (União), eleita no Rio em 2022.

    Em resposta a Simões, Cunha foi às redes sociais reclamar que foi agredido "de forma baixa" e criticou o chefe do Executivo por assumir o governo, após a renúncia de Zema, "sem ter tido qualquer voto". O ex-deputado disse que o governador agiu "talvez no desespero do seu isolamento político e da acachapante derrota que vai sofrer".

    "Agora que esse atual governador para ficar bobo, terá de melhorar bastante. Ele é um forte candidato a ser o quinto lugar da eleição. Por isso está isolado e nem mesmo os candidatos dele nas bancadas trabalharão pela sua candidatura, pois nas bases ninguém quer saber dele. Os mineiros realmente merecem qualquer coisa melhor do que ele, o que não será difícil, pois ele é muito ruim", disse Cunha.

    O ex-deputado disse, ainda, não ter "qualquer participação" nas articulações de seu partido, o Republicanos, sobre candidaturas majoritárias. Em poder da máquina pública desde a renúncia de Zema, Simões patina em fechar alianças e alavancar a candidatura, enquanto o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) lidera as pesquisas de intenção de voto. O governador tem aparecido em sondagens atrás de outros concorrentes, como o deputado Patrus Ananias (PT) e o ex-prefeito da capital Alexandre Kalil (PDT), e poderia perder eleitores de direita para Marcelo Aro (PP).

    Na quarta-feira, o Republicanos havia anunciado que não lançaria Cleitinho e apoiaria Marcelo Aro (PP), ex-secretário da Casa Civil de Minas, na disputa para governador — com palanque para o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Inicialmente Aro seria candidato a senador na chapa de Simões, mas recuou após a entrada no arranjo do senador Carlos Viana (PSD) como postulante à reeleição. Zema e Simões classificaram a mudança como uma traição do ex-secretário.

    O irmão de Cleitinho Gleidson Azevedo (PL-MG) falou em "deixar a política" após o veto à candidatura de Cleitinho. O ex-prefeito de Divinópolis é cotado para concorrer a deputado federal e apontado como possível puxador de votos no estado.

    Não se sabe, porém, como Cleitinho reagirá à candidatura de Cunha, de quem é adversário político. O ex-presidente da Câmara já chegou a processar o correligionário por ser xingado de "vagabundo" e "canalha" durante um ato bolsonarista em Belo Horizonte.

    Cinco dias após anunciar que o senador estaria fora da disputa eleitoral em Minas Gerais, a cúpula do Republicanos passou a ensaiar um recuo e marcou uma nova rodada de reuniões sobre o assunto para esta segunda-feira.

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