Os temporais que atingem diferentes regiões do Brasil têm exposto a vulnerabilidade das cidades diante de desastres naturais e revelado a falta de informação da população sobre o que está, de fato, coberto pelos seguros residenciais e empresariais.
Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam que, no ano passado, o país registrou 1.493 desastres naturais, que afetaram diretamente mais de 336 mil pessoas. No Paraná, um tornado devastou cerca de 90% da cidade de Rio Bonito do Iguaçu e deixou sete mortos.
Deslizamentos de terra, enchentes e vendavais provocaram centenas de mortes e deixaram rastro de destruição, com prejuízos estimados em quase R$ 4 bilhões. Em Minas Gerais, chuvas recentes devastaram Juiz de Fora e Ubá, onde 72 pessoas morreram. Segundo a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), seguradoras pagaram cerca de R$ 40 milhões para indenizar donos de 700 veículos danificados.
Menos lares protegidos e coberturas limitadas
Mesmo com o aumento da frequência de eventos extremos, menos de 20% das residências brasileiras têm seguro residencial. O produto custa, em média, R$ 400 por ano, mas nem todas as apólices incluem cobertura para desastres naturais, em especial enchentes.
Especialistas alertam que é fundamental checar as condições do contrato. Em geral, a inclusão de proteção específica contra enchentes, deslizamentos e vendavais encarece o valor do seguro entre 20% e 40%.
Contratação precisa refletir o risco real
Para o consultor financeiro Philippe Mathieu, o consumidor precisa detalhar o que deseja proteger na hora da contratação. “É importante especificar os riscos que mais preocupam e ajustar o seguro à realidade do imóvel”, afirma. Ele ressalta que “cada caso é um caso, e não adianta estabelecer uma indenização pequena para um bem de maior valor”.
Na avaliação do especialista, subestimar o valor da residência ou da empresa pode gerar frustração na hora de acionar a apólice. Por isso, ele recomenda tirar dúvidas com o corretor e alinhar o contrato às reais necessidades do cliente.
Exemplo de quem decidiu se antecipar
A preocupação com o patrimônio levou o empresário Leonardo Nunes a contratar seguro contra desastres naturais para a loja de carros que possui. A decisão veio depois de alguns sustos com temporais na região.
“Em dia de chuva forte eu sempre tive medo”, relata. “Ficava observando nas câmeras se estava tudo certo, se nenhuma telha tinha caído. Por isso resolvi investir no seguro, para ficar mais tranquilo.”