Meu aniversário é no dia 26 de março. E, curiosamente, sempre que essa data se aproxima, parece que alguma coisa dentro de mim fica… diferente, sabe?
Não é exatamente tristeza, mas também não é só ansiedade.
É como se as coisas ao redor começassem a dar pequenas travadas. Algumas conexões se desfazem, certos planos parecem emperrar e a cabeça entra num estado meio barulhento. A gente pensa mais do que deveria. Sente mais do que gostaria.
E aí vem aquela explicação quase automática: “Ah, claro… é o inferno astral.”
Para quem acredita em astrologia, o chamado inferno astral é o período de aproximadamente trinta dias antes do aniversário. Uma fase de fechamento de ciclo, de revisão, de limpeza emocional antes de começar um novo ano de vida.
Mas será que é só isso?
Eu tenho a sensação de que, para muitas mulheres, esse período funciona quase como um espelho emocional. Não sei se os homens sentem isso da mesma forma. Talvez sintam, mas não falem tanto sobre este assunto. Nós, mulheres, costumamos olhar mais para dentro, revisitar sentimentos, analisar relações, perceber o que está funcionando e o que já não cabe mais. E talvez seja exatamente isso que aconteça.
Perto do aniversário, a gente inevitavelmente faz um balanço, mesmo que inconsciente, do que deu certo, do que não deu, quem ou o quê ficou no caminho... quem ainda faz sentido caminhar junto!
E quando algumas coisas se desencaixam nesse momento, fica fácil colocar a culpa no tal inferno astral, né? Ufa!
Mas a verdade é que muitas dessas situações fazem parte da vida cotidiana. Acontecem o ano inteiro, só que, quando a gente sabe, consciente ou inconscientemente, que está nesse tal período, parece que tudo ganha um peso maior. A gente potencializa, amplificando sentimentos, interpretando sinais, criando conexões entre fatos que talvez, em outro momento do ano, passariam quase despercebidos.
E no meio desse turbilhão emocional, a vida real continua acontecendo.
Este ano, por exemplo, pra mim, tem um detalhe que mexe profundamente comigo: faz exatamente 15 anos que me tornei mãe do Rafael. Dois dias depois do meu aniversário, ele também completa 15 anos. Quinze anos! Escrever isso já dá um pequeno frio na barriga.
Porque, de repente, aquela fase da infância vai ficando para trás e começa um novo capítulo: ensino médio, estudar à noite, pensar em curso técnico, ouvir conversas sobre áreas profissionais, projetos, responsabilidades maiores. Surgem até nomenclaturas que a gente nunca tinha ouvido antes! Isso me dá um certo susto.
Não porque não seja bonito, pelo contrário: é lindo ver um filho crescendo. Mas porque, de repente, a gente percebe o tempo passando de verdade. Aquele menino que cabia inteiro no meu colo agora fala de futuro, de escolhas, de caminhos... (snif)
E enquanto ele cresce, parece que algumas rugas aparecem por aqui também. Não sei se são do tempo, da preocupação ou simplesmente da emoção de assistir tudo isso de pertinho...
Talvez o tal inferno astral tenha um pouco disso também: a gente fica mais sensível às mudanças, mais consciente das fases que estão virando página e olhando bem, talvez não seja um inferno. Talvez seja só aquele momento em que a vida dá uma pequena pausa para lembrar: você mudou, seu filho cresceu, algumas coisas ficaram para trás… e um novo ciclo está batendo na porta.
Nos bastidores da vida real, às vezes não são as estrelas que estão bagunçando tudo. É a própria vida se reorganizando e convidando a gente para continuar crescendo junto com ela.