Neste domingo (15), contra o Mirassol, o Palmeiras fará o seu primeiro jogo do ano como mandante no Allianz Parque. Após a troca total do gramado, que recebeu a certificação da FIFA, o alviverde voltará à casa, fazendo o Brasileirão ter 6 times mandantes em gramados sintéticos.
Athletico e Chapecoense, que subiram de divisão, se juntaram ao Atlético-MG, Botafogo e Palmeiras, que também utilizam o piso artificial como mandante. Devido a reforma do estádio São Januário, o Vasco deve mandar os seus jogos no estádio Nilton Santos em 2026. Com isso, a quantidade de partidas no sintético pode alcançar um novo recorde na primeira divisão do futebol brasileiro.
O Allianz Parque conta o gramado artificial desde 2020. Nesta temporada, em um investimento avaliado em R$11 milhões de reais, a Wtorre, empresa responsável pela gestão do estádio, impulsionou esse serviço em conjunto com o Palmeiras a fim de melhorar não apenas a qualidade da grama, mas também a tecnologia em volta dela, como o sistema de drenagem, instalação de tapetes, rolos do choque pad, lançamento e distribuição da areia e a demarcação do campo.
Nesta quarta-feira (11), saiu o certificado da Fifa sobre a inspiração e aprovação do novo gramado sintético do Allianz Parque. Com o documento, o estádio está oficialmente liberado para voltar a receber partidas.
Mesmo com protestos formais de alguns atletas, dirigentes e clubes, como o Flamengo, contra o uso de gramados sintéticos no Brasileirão, a tecnologia está cada vez mais presente nos estádios. Na visão de especialistas, fatores como variações climáticas, realização de eventos como shows e o excesso de partidas ao longo da temporada colaboram para a migração da grama natural para a sintética.
“O gramado sintético tem sido uma solução viável para os clubes, principalmente pensando na sustentabilidade econômica. As Arenas, hoje em dia, também são pensadas como multiuso. No gramado natural, por exemplo, não é possível receber um show e no dia seguinte ter um jogo de futebol. Isso prejudica o espetáculo”, afirma Sergio Schildt, presidente da Recoma, empresa que já executou mais de dois milhões de m² de grama sintética e tem alguns cases de sucesso, como o Centro de Treinamento do Flamengo, e o estádio de Extrema, em Minas Gerais.
Schildt também explica que, apesar de um investimento de 7 a 9 milhões para implementação do gramado sintético, os gastos de manutenção são muito menores em comparação com a grama natural.
“Além do alto custo para a manutenção, o gramado natural dos sonhos, que vemos na Copa do Mundo ou em outros grandes eventos, é muito difícil de viabilizar no Brasil por causa da quantidade de partidas que são realizadas ao longo do ano. O uso maior do estádio para demais finalidades além do futebol, necessário para ajudar na geração de receitas, também afeta a qualidade do gramado natural e piora as suas condições”, acrescenta Schildt.
Nos Centros de Treinamentos das equipes que disputam a Série A, essa realidade não é diferente. Atualmente, 13 dos 20 times da primeira divisão possuem campos alternativos com grama artificial e, em breve, mais dois irão se juntar ao grupo: Botafogo e Remo.
"Até agora, existem poucos dados científicos que investigam as diferenças no desempenho físico de jogadores de futebol em gramados sintéticos e naturais. Recentemente, uma pesquisa evidenciou que durante os jogos realizados em gramado sintético, os zagueiros, volantes e laterais percorreram uma distância total maior e realizaram mais ações de corrida de média e alta velocidade (sprints) comparado aos jogos que ocorreram em gramado natural. Zagueiros, volantes e atacantes (pontas) realizaram mais ações de aceleração e desaceleração total no gramado sintético comparado ao natural. Atacantes (pontas e centroavante) realizaram mais ações de desaceleração de alta intensidade no gramado sintético comparado ao natural. Com isso, é necessário que a comissão técnica e preparadores físicos adaptem os treinos físicos para que os atletas suportem a maior demanda física em jogos realizados no piso artificial", afirma Fabrício Rapello, fisioterapeuta esportivo especialista pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil) e que já trabalhou no Santos por quatro anos.
Em divisões inferiores, o campo sintético também tem se mostrado uma solução interessante para os clubes. Neste ano, após virar SAF, o Juventus-SP investiu na instalação do novo gramado.
Na Europa, há uma forte campanha de clubes e ligas para proibirem cada vez menos o uso do sintético. Nessa temporada, a Holanda proibiu jogos em gramados 100% artificiais após pressão dos sindicatos dos jogadores que alegaram problemas em como a bola rolava e por estarem mais vulneráveis a sofrerem lesões.
As principais ligas internacionais como a primeira divisão da Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha, França e Portugal também não sediam partidas em estádios com grama totalmente sintética.
Por outro lado, o Young Boys da Suíça, clube que já disputou a Champions League, utiliza grama sintética no Stadion Wankdorf, estádio onde manda os jogos. A decisão passa pela influência climática para realização das partidas, devido às constantes nevascas na Suíça. Pelo mesmo motivo, outro clube que utiliza é o Bodo/Glimt, da Noruega, uma das sensações desta edição da Liga dos Campeões.
A UEFA permite o uso de grama sintética em todos os jogos da competição, exceto a final. O campo deve ter o certificado FIFA Quality Pro, válido por toda competição e o clube mandante é responsável por obter todas as garantias para manutenção do gramado e medidas de segurança para a partida.