Constituição ferida
“Mexeu com um, mexeu com todos”, esse é o lema vigente no Supremo Tribunal Federal (STF). A recente determinação de Alexandre de Moraes, de busca e apreensão na casa de um jornalista maranhense que ousou publicar a informação de que familiares do ministro Flávio Dino utilizavam veículo da Justiça daquele Estado, fere o princípio da liberdade de opinião e de imprensa, estabelecido na Constituição. Moraes continua se considerando um cidadão acima de qualquer suspeita, um aiatolá, líder supremo do País.
José A. Muller
Avaré
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O mínimo
O ministro Dias Toffoli se declarou impedido de julgar a prisão de Daniel Vorcaro. Perdão, mas isso é o mínimo, não entendo por que os senhores Toffoli e Alexandre de Moraes continuam nas suas funções, dentro do Supremo Tribunal Federal. Num país sério, já estariam fora. Ou não. Do alto de meus 81 anos, peço que alguém me explique.
Sergio Cortez
São Paulo
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Ministro suspeito
Pergunta tola a Dias Toffoli: de onde veio o dinheiro para comprar o famoso resort? Com os rendimentos de ministro do STF, acho um pouco difícil.
Jorge Wiszniewiecki
São Paulo
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Donald Trump
Uma encrenca por dia
Para encobrir os fracassos de suas políticas, o presidente Donald Trump cria, quase diariamente, uma nova encrenca. Como não resolveu os problemas da Ucrânia e da Palestina, abandonou as negociações com o Irã e bombardeou o país, junto com Israel, o que deixou a região do Golfo em estado de alerta. Agora, inventou um novo problema: os EUA estão investigando 60 países, entre eles o Brasil, para analisar se produtos fabricados com trabalho forçado estão entrando no mercado americano. O resultado destes atos são o aumento da tensão mundial e dos preços de petróleo, o que ameaça o desenvolvimento de muitos países. É triste e revoltante ver os estragos resultantes dos atos irresponsáveis de um dirigente que é mentalmente instável.
Omar El Seoud
São Paulo
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SP Innovation Week
A IA na educação
‘A IA não é alguém fazendo por você, é uma continuidade sua’ (Estadão, 11/3, A20). Corroborando o que apregoa a professora Iona Szkurnik, entrevistada sobre a inteligência artificial (IA) como instrumento de apoio ao aprendizado, estamos, de fato, diante da mais importante transformação do processo de ensino-aprendizagem. Ao longo dos mais de 40 anos dedicados ao ensino em universidades, considero a IA como o mais poderoso auxiliar tecnológico no processo de apreensão e transmissão de conhecimento, depois da invenção dos instrumentos de escrita e base para a sua consecução, quais sejam, o lápis e o papel. Foi-se o tempo em que se proibia até mesmo máquinas de calcular em prova de ciência exata. Agora, o mais importante é saber tirar destes instrumentos as respostas mais adequadas aos objetivos do aprendizado e solução de problemas do cotidiano. A exploração não cessa na primeira alternativa de resposta que os aplicativos de IA proporcionam. É notória, ademais, a persistente indagação, pelo próprio aplicativo, sobre passos a seguir para uma abordagem integral e detalhada do tema proposto. Daí a importância do “saber perguntar”, ou seja, da elaboração dos chamados prompts para o acionamento desses aplicativos.
Fauzi Timaco Jorge
São Paulo
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Vida na cidade
Incoerência
Enquanto a obesidade vai se tornando sério problema de saúde pública, áreas apropriadas para a prática de exercícios físicos nas cidades são cada vez mais assediadas por empresas de gastronomia – incoerência observada em carta da leitora sra. Maria Veronika Keri (Fórum dos Leitores, 12/3, A4). Outro caso a mencionar seria o do jardim do Museu da República, no Rio de Janeiro. Trata-se de um refúgio arborizado, disponível em bairro de elevado movimento e muita poluição; no entanto, com certa frequência, ocupado por eventos que vendem comidas e bebidas. O necessário combate à nefasta tendência ao sobrepeso deveria focalizar a limitação de apelos ao vício da comilança, ao menos restringindo sua presença em locais destinados à desintoxicação e ao descanso físico e mental.
Patricia Porto da Silva
Rio de Janeiro
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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br
PARALISAÇÃO NAS AUTARQUIAS
Com os Três Poderes em Brasília mergulhados no caos do Banco Master, assuntos importantes para a sociedade permanecem em segundo plano sem solução à vista. Um dos exemplos é o caso de indicações do governo para autarquias federais, como o Banco Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Com a saída de Diogo Guillen da Diretoria de Política Econômica e Renato Dias de Brito Gomes da Diretoria de Organização, o BC opera sem duas diretorias importantes, das oito totais do órgão. Haddad afirmou recentemente que indicou a Lula nomes novos para o BC, porém ainda não foram avaliados pelo presidente. Na CVM, a situação é mais grave. O órgão está virtualmente paralisado. O colegiado deveria ser composto por cinco membros, mas existem atualmente três vagas abertas. Indicações foram feitas, mas ainda não está prevista a sabatina no Senado. No cenário atual, em que pairam revelações sobre cooptação de funcionários do BC e possivelmente da CVM em torno do Master, é fundamental recompor os quadros das autarquias para que consigam fazer os seus trabalhos de regulação e supervisão do mercado de capitais.
Guilherme Micota Stipp
Curitiba
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STF EM CRISE
O Supremo Tribunal Federal (STF) é a bola da vez. A Suprema Corte está desacreditada como nunca aconteceu na história da República. Está na hora de mudar os critérios de formação do Supremo. A exemplo dos outros Poderes, os ministros deveriam ser escolhidos pelo voto para um mandato de quatro anos. Os candidatos deveriam ter o saber jurídico necessário e receber indicação da Ordem dos Advogados do Brasil, de outros órgãos do Poder Judiciário e do próprio Executivo, além de passar pelo crivo do voto popular. Assim, a Corte deve julgar observando rigidamente a Constituição do Brasil.
Gilberto Ruas
Santos
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CRENÇA NO STF
O trabalho da extrema direita em desacreditar instituições é primoroso. Não por menos, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido mal avaliado pela população, em consonância com aqueles que aceitam qualquer candidato à Presidência que esse grupo político lança no mercado. Mas a Suprema Corte também carrega suas disfunções, não quando aplica a lei e defende a Constituição como deve ser, mas quando dá privilégio a preso que atentou contra a democracia ao receber representação diplomática de país estrangeiro, ou a outro detento de alta periculosidade ao romper as regras e permitir conversas sem gravação, ou ainda quando a suspeição de magistrados deveria ser prolatada a priori, e não depois de reportagens jornalísticas.
Adilson Roberto Gonçalves
Campinas
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MINISTROS DO SUPREMO
Ao observar várias edições recentes do jornal Estadão, fico me perguntando o motivo de os ministros do Supremo Tribunal Federal aparecerem com tanta frequência na primeira página. Será por estarem executando seu trabalho? Sempre ouvi que juiz não opina, julga. Se o Brasil fosse uma empresa privada, será que os donos estariam contentes com a atuação deles? Tenho lá minhas dúvidas.
Marcos Nogueira Destro
São Paulo
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CRISE INSTITUCIONAL
O artigo Nada a comemorar no castelo da insensatez (Estadão, 12/3, A4), de José Serra, nos traz uma primorosa análise geopolítica e da involução civilizatória dos tempos atuais, algo que somente uma pessoa com grande preparo e visão privilegiada poderia prospectar e perceber. Lendo-o, ocorreu-me a indagação: por que os paulistas retiraram do Parlamento o autor do artigo, preferindo eleger, por exemplo, dois fujões, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carla Zambelli (PL-SP)? Talvez essa equivocada preferência eleitoral, associada ao engodo da polarização, maliciosamente explorada pelos dois lados ideológicos, explique o baixíssimo nível dos integrantes do atual Congresso e, por consequência, a crise institucional que atravessamos, enquanto aqueles que elegemos, fantasiados de parlamentares, discutem firulas e se omitem em efetivamente legislar pelo bem comum, preferindo agilizar os interesses pessoais. Precisamos escolher com mais cuidado nossos candidatos nas próximas eleições.
Honyldo Roberto Pereira Pinto
Ribeirão Preto
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DESAPROVAÇÃO DE LULA
Segundo a mais recente pesquisa Genial/Quaest, o presidente Lula tem a expressiva desaprovação de nada menos que 51% dos brasileiros e a aprovação de 44%. Como se vê, os números indicam per se o retrato que comprova a inquestionável fadiga de material e o limite de validade do líder petista. Com o passar dos anos e a profusão de profundas mudanças no mundo e no Brasil, Lula insiste em não mudar e segue cometendo com insistência os mesmos e velhos erros dos (des)governos lulopetistas anteriores. Como resultado, os votos que julgava cativos em seu nome mudarão de candidato na próxima eleição. Basta de Lula!
J. S. Vogel Decol
São Paulo
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FIM DA POLARIZAÇÃO
Uma nova polarização nas próximas eleições para a Presidência pode ser prejudicial para o País. Mais do mesmo de um lado e incertezas do outro. Por isso, precisamos de uma terceira via como esperança para dias melhores. Uma opção seria o retorno de Simone Tebet, que já foi candidata anteriormente. Ela tem boa formação educacional, é advogada e adquiriu experiência administrativa por participar do atual governo, no Ministério do Planejamento. O eleitor merece outro caminho por meio do qual possa se manifestar. Ainda existem homens corretos que podem se somar a ela. Caso não consiga, servirá como resultado de pesquisa para saber quantos cidadãos brasileiros desaprovam a polarização que tanto mal faz ao País.
Alvaro Salvi
Santo André
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PREVIDÊNCIA
Curto, objetivo e cada vez mais atual é o artigo do Estadão de 12/3 do consultor econômico Raul Velloso (Não esmorecer no reequilíbrio previdenciário, B9). Este senhor, expert na área da Previdência, vem alertando a mídia, a população e as autoridades, através dos seus vários artigos publicados, de que a Previdência é uma bomba que vai explodir em 2027, já durante o novo mandato presidencial. A população brasileira está a envelhecer num ritmo mais acelerado do que o esperado, exigindo cada vez mais verbas para o pagamento das aposentadorias – verba esta que a Previdência não tem e não terá tão cedo se providências não forem tomadas a curto prazo. Um dos motivos do baixo crescimento do PIB do País é a falta de verba para investir em infraestrutura, problema que só será resolvido com o equilíbrio previdenciário, conforme recomenda Raul Velloso. Será que um dia as autoridades vão dar ouvidos a ele?
Károly J. Gombert
São Paulo
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TERRORISMO
Luiz França G. Ferreira
São Paulo
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DÚVIDAS
É natural que o projeto recentemente anunciado pelo governo Trump de carimbar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), principais performers da comissão de frente do crime organizado no Brasil, como organizações terroristas suscite intrigantes dúvidas entre a população. Por exemplo, há possibilidade de intervenções externas, inclusive de natureza militar, no território nacional? Por que o governo brasileiro é contra a ideia? Será por implicações políticas de soberania, vinculadas ao fato de que não deve abrir mão da exclusividade de combater o avanço das facções e estancar o aumento de seu poder nas searas política e financeira? A verdade, porém, é que as iniciativas domésticas não estão funcionando a contento e, ao contrário, vêm propiciando a ampliação das áreas dominadas pela alta marginalidade, além de possibilitar o crescente envolvimento de agentes públicos com o crime. Por outro lado, que tipo de consequências para o País têm probabilidade de se materializar caso a classificação seja sacramentada? Sofrerá alguma espécie de isolamento e restrição de créditos internacionais, com consequências que podem ser graves? Enfim, a população, que cada vez mais se encontra vulnerável em face do avanço, sem oposição adequada por parte do poder público, do crime organizado, aguarda respostas e, sobretudo, anseia pela recuperação do direito de ir e vir.
Paulo Roberto Gotaç
Rio de Janeiro
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INOPERÂNCIA AMERICANA
Os EUA não são capazes de dizer qual é o objetivo da guerra no Irã. O ataque que eliminou o líder iraniano não mudou o regime, e a retaliação iraniana contra alvos no Oriente Médio não foi prevista nem neutralizada. As consequências das ações militares mal planejadas são desastrosas. Países aliados estão sendo atacados, o mercado de petróleo sofreu um grave abalo e o mundo poderá enfrentar escassez severa de petróleo por tempo indeterminado. Nada disso abala o presidente americano, que se diz farto desse assunto. Trump segue jogando golfe e anunciando novas ações inconsequentes e desastradas, desta vez em Cuba. É inacreditável a inoperância absoluta das instituições americanas para dar um basta ao seu líder, como se não bastassem as condenações criminais que ele tem.
Mário Barilá Filho
São Paulo
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ERA MEDIEVAL
A humanidade retroage aceleradamente à era medieval. EUA e Rússia invadem outros países sem pudor, impondo dor, sofrimento e morte às populações civis. A estratégia, porém, difere: enquanto os EUA saqueiam a dignidade e as riquezas das nações que atacam, a Rússia busca principalmente a expansão territorial, anexando regiões inteiras ao seu domínio. Essa escalada belicista enterra séculos de construção dos direitos fundamentais e do direito internacional. Valores duramente conquistados são agora desrespeitados pelas próprias potências que deveriam garanti-los. Para justificar o injustificável, resgatam o discurso arcaico de que a paz se alcança pela força das armas. Na verdade, pela força das armas se alcança a submissão. A História, mais uma vez, parece não ter servido de lição.
Marcus Aurelio de Carvalho
Santos
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PODER RELIGIOSO
O Poder Executivo e político de uma nação, quando exercido por autoridade religiosa, tende a tornar o governo fanático, assim como quando é comandado por líder fanático ideológico. Sempre que líderes extremistas assumem o poder de um país, ele se torna uma ditadura beligerante. O Irã é um exemplo atual.
Paulo Sergio Arisi
Salvador
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MAIORIDADE PENAL
Já passou da hora para o Brasil dar mais atenção à redução da idade punitiva dos criminosos considerados púberes – e por que não também os impúberes. Na verdade, esses criminosos são protegidos pelas leis, mas pouco se importam. Saem roubando, furtando e matando os brasileiros de bem por um celular ou por uma simples aliança de ouro, muitas vezes impuras. Mesmo assim, seguindo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Judiciário é obrigado a passar as mãos na cabeça desses jovens infratores – que de jovens não têm nada – e, como punição, só recebem medidas socioeducativas e advertências, entre outras regalias. Afinal, quem pratica crime de adulto deve ser julgado como tal.
Júlio R. A. Brisola
São Paulo
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SEGURANÇA PÚBLICA
Ontem, tive meu carro roubado na Vila Madalena. Ao realizar os procedimentos necessários, fiquei sabendo do alto índice de roubos de veículos e celulares na região, que carece de policiamento ostensivo. Tenho a impressão de que o bairro é frequentado por inúmeros ladrões que ficam esperando uma distração da vítima. É uma pena, pelas antigas características comerciais e sociais do bairro. Socorro, governador. Esta cidade não aguenta mais.
Ronaldo Rossi
São Paulo