A guerra e o agro
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A guerra e o agro

Para além das vidas perdidas, a guerra deflagrada por EUA e Israel contra o Irã pode causar impactos importantes para a economia brasileira. O Estreito de Ormuz, fechado desde o dia dos ataques, é reconhecidamente uma das principais rotas de petróleo no mundo, mas também é por lá que circulam alguns dos principais itens de nossa pauta de exportações, como frango, milho, açúcar e carne bovina.

O Brasil exportou US$ 12,572 bilhões em produtos agropecuários ao Oriente Médio no ano passado, segundo dados da Agrostat, o equivalente a 25,121 milhões de toneladas. Para o Irã, foram US$ 2,920 bilhões e 11,532 milhões de toneladas, o que fez com que as vendas externas para aquele país superassem a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

A vulnerabilidade não se expressa apenas nos valores. Segundo o Centro de Agronegócio Global do Insper, o Brasil é hoje o maior produtor e exportador de carne halal, que atende aos rígidos padrões islâmicos de produção. Além disso, de tudo que exportou no ano passado, o País enviou para o Oriente Médio nada menos que 29% de carne de frango, 31,5% do milho, 17% do açúcar e 6,5% da carne bovina.

O governo monitora os impactos do conflito com atenção, na expectativa de que os alimentos tenham uma espécie de “salvo-conduto” em meio à guerra, disse ao Estadão/Broadcast o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua. Em um primeiro momento, segundo ele, é possível até mesmo que os países elevem as compras para formação de estoques de segurança, como ocorreu nos últimos 15 anos.

O maior risco está na escalada e na extensão do conflito, que pode aumentar substancialmente os custos transacionais. Vêm do Oriente Médio cerca de 15% dos fertilizantes nitrogenados importados pelo Brasil, e 45% das exportações globais de ureia transitam por rotas marítimas da região.

A cotação tem influência direta na formação de preços dos insumos e dos fretes, cujos custos podem subir ainda mais se desvios de rota forem necessários por muito tempo.

A questão é que o agro tem sido um dos pilares das exportações e da própria atividade econômica. Enquanto o PIB cresceu 2,3% no ano passado, o agronegócio avançou 11,7%, bem mais que os serviços (1,8%), indústria (1,4%) e comércio (1,1%). Sem o setor, o País teria crescido apenas 1,5%, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), desempenho digno de um voo de galinha.