Segundo estudo elaborado em 2025 pela LCA Consultoria Econômica, encomendado pelo Instituto MBCBrasil, a projeção da frota circulante de caminhões no Brasil evidencia um paradoxo estrutural da transição energética no transporte pesado. Apesar da introdução gradual de tecnologias de descarbonização, como caminhões elétricos e movidos a biometano, o crescimento orgânico da frota total, majoritariamente baseada no diesel, tende a elevar as emissões absolutas de gases de efeito estufa (GEEs) nas próximas décadas.
O estudo projeta que, entre 2025 e 2040, a frota total de caminhões crescerá de 2,3 milhões para 3,4 milhões de veículos. Embora a participação relativa do diesel caia de 99% para 85%, o número de caminhões a diesel aumentará de 2,2 milhões para 2,9 milhões, acréscimo de aproximadamente 700 mil veículos. Ou seja, mesmo com maior presença de tecnologias de menor pegada de carbono, as emissões totais seguem pressionadas.
Segundo o Relatório do Inventário Nacional 2024 (1990-2022), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a frota circulante de caminhões respondeu por cerca de 45% das emissões de CO2₂ do setor de transportes no Brasil. Quando somadas às emissões dos ônibus, o transporte pesado ultrapassa 50% do total setorial, consolidando-se como o principal vetor emissor.
Estudo do Instituto Mauá de Tecnologia encomendado pela Abipeças aponta que, em 2023, o setor de caminhões no Brasil emitiu cerca de 120 milhões de toneladas de equivalente de dióxido de carbono (Mt CO2₂eq). Do total, 56% dessas emissões foram geradas por caminhões com mais de dez anos de idade, evidenciando que o principal problema climático está no estoque antigo, menos eficiente e altamente emissor. O mesmo estudo mostra que a renovação acelerada da frota anterior ao Proconve P7 (fase 7 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores) pode reverter essa tendência, reduzindo as emissões em até 9,5% ao ano, cerca de 11,5 milhões de toneladas de CO2₂eq.
Nesse contexto, a Inspeção Técnica Veicular (ITV) deve atuar como alavanca dessa política pública, garantindo ganhos ambientais reais.
A combinação entre renovação da frota existente, adoção de caminhões Euro VI e uma ITV permanente desponta como a forma mais rápida, realista e custo-efetiva de reduzir emissões no curto e no médio prazos.