Depois de alguns anos ganhando todo tipo de batalha, comercial e midiática, a FFU está sob ataque. Ações judiciais movidas por clubes, reclamações de ordem financeira e comercial, constrangimentos causados por políticos. Por vários flancos, surgem problemas. E quem está do outro lado não é exatamente a Libra, mas a CBF.
A coluna fez contato com FFU e CBF, que não se manifestam a respeito da disputa que ocorre nos bastidores.
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Um dos pontos críticos é a possível troca de bloco por parte do Grêmio. Em 2026, o clube trocou de presidente; saiu Alberto Guerra e entrou Odorico Roman. Há cerca de duas semanas, em 23 de fevereiro, a diretoria do novo dirigente recebeu representantes da LCP Partners, coordenadora dos investidores da FFU.
A proposta feita pelos investidores aos gremistas é similar à dos atuais membros do bloco: receber valor adiantado agora, em troca da participação de percentual sobre os direitos comerciais vinculados ao Brasileirão por 50 anos. O Internacionalfez esse negócio, em 2023. O Grêmio se gabou de não precisar dele.
Agora, os gaúchos balançaram. A necessidade financeira fez com que, a princípio, a troca fosse dada como certa nos bastidores. Depois, houve um recuo. Internamente, há resistência de conselheiros abonados que não veem tamanha urgência, a ponto de sacrificar receitas por período tão prolongado.
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Externamente, quem não queria ver a mudança acontecer é a CBF. Por um motivo estratégico. A confederação resolveu jogar o jogo da liga, mas não quer abrir margem para os investidores da FFU — que, por meio do condomínio com os clubes, têm poder para tomar decisões comerciais e querem assumir o Brasileiro.
Flamengo e Palmeiras, a CBF mantêm por perto faz tempo. Corinthians e São Paulo estão tão imersos em suas crises particulares, com presidentes improvisados e escândalos financeiros e de corrupção, que mal conseguem se articular em assuntos coletivos. O Atlético-MG já se mandou para a FFU. Logo, ver o Grêmio partir da Libra fortaleceria ainda mais o poder que a FFU tem.
O que se viu, então, foi um bombardeio. Primeiro: sócios do Sport entraram na Justiça para questionar o contrato com a FFU. Segundo: por intermédio da CBF, a Globo comprou direitos de Série B de Náutico e São Bernardo e forçou os investidores da FFU a elevar as cifras repassadas aos demais. Terceiro: o CSA ganhou na Justiça o direito de votar contra a entrada do Grêmio, mesmo estando na Série C.
Quarto: o deputado Pedro Aihara (PRD-MG) mandou requerimento à CVM e ao Ministério da Fazenda pedindo que as autoridades apurem o possível vínculo financeiro entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a FFU.
O parlamentar pediu que a Fazenda solicite à CVM informações sobre fundos ligados à gestora Life Capital Partners (LCP) e à empresa Sports Media, que têm participação na exploração de receitas da Futebol Forte União (FFU). O parlamentar cita, no requerimento, reportagem da Folha de S.Paulo que mostrou que Daniel Vorcaro, do Banco Master, teria investido aproximadamenteR$ 30 milhões na FFU por meio de debêntures conversíveis em ações detidas pelo fundo Astralo 95.
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Em nota ao Estadão, a Fazenda disse que “a CVM é um órgão autônomo e não cabe a ela a tratar desse tema que está sob a jurisdição do referido órgão”. Procurados, CVM e a defesa do Vorcaro não responderam aos contatos. O espaço segue aberto caso haja alguma manifestação.
A quantidade de crises não é coincidência. Não que todas as ações estejam coordenadas pela mesma pessoa, mas que há direcionamento no ataque à FFU, há.