Não é apenas em terras arrasadas por fusões de holdings onde florescem as operações independentes. Muitas vezes é um negócio que adapta ou se desenvolve a partir da percepção de que há necessidades específicas que ficaram “desguarnecidas”.
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Existem, afinal, tipos variados de demandas. Desde os executivos que preferem fazer reuniões em salas corporativas numa grande mesa com 15 pessoas de diferentes áreas tomando decisões. Até aquelas lideranças de marketing que preferem algo mais simples e direto.
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A agência tem operação independente, ainda que vinculada a uma grande companhia nacional, o Grupo Dreamers. A Artplan atende a BTG Pactual, Sebrae, Cobasi, Braskem e Hypera, entre outras contas robustas, com grande volume de compra de mídia.
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Mais recentemente, o negócio entre Omnicom e IPG determinou o fim da rede DDB e, por consequência, da DM9 no Brasil. Boa parte dos egressos da agência – assim como clientes do porte de iFood, Decolar, MRV e Pizza Hut – criaram a independente YouDare e encontraram guarida no Dreamers, mesmo grupo da Artplan.
A Galeria é outro caso notório do mercado brasileiro. A agência nasceu em 2021 quando parte da liderança da DPZ deixou a operação (dentro da Publicis) para criar a própria empresa, levando consigo algumas contas robustas: Itaú, McDonald’s, Natura, TikTok.
Barriga no balcão
Essa agilidade subentende o que Claudio Kalim, CEO da Tech & Soul, chama de “barriga no balcão”: uma grande proximidade da realidade do cliente. “Com equipes seniores, com maior experiência e repertório, e atuando de forma próxima à operação, essas agências conseguem propor soluções mais pertinentes e conectadas às reais necessidades do negócio”, afirma Kalim.
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Bruno Bernardo, CEO da Labof, concorda: “Hoje, CMOs e fundadores querem interlocução direta com quem decide, não com camadas intermediárias”.
A Artplan, por exemplo, deu origem ao Grupo Dreamers. Nascida de um pequeno negócio em 1967, hoje é irmã de uma diversidade de negócios, como Musicalize, Dream Factory, Aceleraí (e o Dreamers é sócio do Rock in Rio). A Galeria foi criada há apenas quatro anos e também passou a funcionar como uma holding, embarcando diferentes empresas e entregas sob um mesmo guarda-chuva.
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Apesar da expansão, essas e outras agências – inclusive as redes globais como R/GA e Wieden+Kennedy – tentam manter sua agilidade e autenticidade criativa. E servem como exemplo para as boutiques que querem prosperar sem cortar raízes.
“Crescer, para nós, é ampliar impacto sem perder identidade”, destaca Guilherme Jahara, cofundador da Dark Kitchen.
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Kalim concorda: “Quanto mais distantes estivermos, especialmente nós da equipe sênior que conduzimos o negócio, maior será o risco de perder a pessoalidade”.
Quando crescem, portanto, é interessante que as independentes se lembrem sempre da época em que tomavam café na coworking com o cliente antes de conquistarem a própria sala corporativa com mesão de 15 lugares.