Após prisão de Salvino, polícia aponta saques e empresas suspeitas
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Após prisão de Salvino, polícia aponta saques e empresas suspeitas

A Polícia Civil afirma que o vereador do Rio Salvino Oliveira, do PSD, recebeu ao menos R$ 100 mil em transações consideradas atípicas, além de valores de uma empresa sediada no Complexo da Maré, na área de atuação do Comando Vermelho.

A informação foi divulgada em um posicionamento sobre a operação que prendeu o parlamentar, após o partido dele e aliados políticos alegarem falta de provas e uso da corporação pelo governador para perseguição de adversários nas eleições. A movimentação financeira não constava no pedido de prisão temporária de Salvino.

De acordo com a Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro, as provas não foram anexadas para preservar a investigação e por considerar que o material que consta nos autos já era suficiente. Ou seja, análises de dados telemáticos revelando diálogos entre o chefe do tráfico Edgar Alves, conhecido como Doca, um bandido vinculado ao CV, que atuava como uma espécie de "síndico" da Gardênia Azul, favela da Zona Oeste dominada pela organização criminosa.

No inquérito anexado ao pedido de prisão a polícia sustentou que o vereador "pode não ter atuado como ator periférico, mas como beneficiário potencial de um arranjo político criminoso, no qual o exercício do mandato parlamentar revela-se condicionado à chancela da facção criminosa, com aderência ao plano que conjuga interesses eleitorais e a manutenção do poder paralelo do Comando Vermelho na região da Gardênia Azul". O Ministério Público foi favorável à decretação da prisão temporária pela Justiça.

A nova nota da Polícia Civil não fez menção à suspeita de envolvimento de Salvino Oliveira no plano de apropriação do tráfico dos quiosques inaugurados na comunidade. A corporação havia divulgado no dia da Operação Red Legacy, na última quarta-feira (11), que esse fato era relevante para comprovar a relação entre o político e o Comando Vermelho. A informação também não consta no pedido de prisão.

Por outro lado, o comunicado destrincha outras informações relacionadas às movimentações financeiras consideradas suspeitas. Segundo os investigadores, Salvino recebeu, ao longo de quatro meses, R$ 100 mil reais em transações atípicas, incluindo onze depósitos em dinheiro vivo. O vereador também recebeu valores de uma empresa de informática do conjunto de favelas da Maré sem haver vínculo aparente entre as partes.

A Secretaria de Polícia Civil informou que dados de inteligência também apontaram para movimentações suspeitas envolvendo um assessor, cuja esposa foi identificada como possível responsável pela lavagem de dinheiro da facção.

Em sete meses, foram realizados mais de vinte saques em espécie da conta pessoal dela, que totalizaram R$ 2.490.000, muitos ocorrendo em dias consecutivos.

Além disso, uma das empresas em nome da esposa do assessor movimentou mais de R$ 35.000.000 em pouco mais de dois anos, valores considerados incompatíveis com o faturamento declarado de aproximadamente R$ 2.000.000,00. Desse montante, foram identificados R$ 300.000 oriundos de uma fintech investigada por ligação com o PCC.

Há ainda fortes indícios, segundo a Polícia Civil, de que o grupo tenta burlar os mecanismos de controle e fiscalização, uma vez que foram registrados quatro saques no valor de R$ 49.999,99 cada — valor imediatamente inferior ao limite de R$ 50.000 que obriga as instituições financeiras a realizar comunicação compulsória aos órgãos competentes.

Em pouco mais de dois anos, a movimentação total identificada apenas nas contas pessoais da esposa do assessor do superou R$ 3.000.000.

O assessor, por sua vez, é sócio de uma empresa que recebeu R$ 390.000 em duas transferências sem motivação lícita aparente e enviou mais de R$ 1.000.000 para outra empresa sem justificativa comercial identificável.

Ele ainda é sócio-diretor de uma empresa cujo sócio presidente é filho do já falecido traficante Elias Maluco, responsável pelo assassinato do jornalista Tim Lopes.

As informações reveladas pela Polícia Civil no comunicado recebido pela BandNews FM nesta sexta-feira (13) não foram anexadas aos autos do processo relacionado à Operação Red Legacy.

A defesa de Salvino Oliveira afirma que, a respeito da Nota Oficial da Polícia Civil, a nota amplia as condições confusas da prisão do parlamentar ao descrever diversas condutas criminosas sem nominar os acusados e atribuir a cada um as suas responsabilidades.

A Polícia afirma possuir Relatório de Inteligência Financeira – RIF, mas este não faz parte do processo em que houve a decretação da prisão. A assessoria desconhece a sua existência, o que é grave e viola o direito à ampla defesa de qualquer acusado em um estado democrático de direito.

Por fim, é informação absolutamente inverossímil que Salvino Oliveira tenha realizado qualquer movimentação deste vulto ou tenha qualquer relação com empresa, fintechs, ou lavagem de dinheiro.