Alemanha tem o maior número de empresas quebradas desde 2014
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Alemanha tem o maior número de empresas quebradas desde 2014

Em meio à estagnação econômica da Alemanha, mais de 24 mil empresas não tiveram condições de honrar todos os seus compromissos financeiros e, portanto, viram-se obrigadas a declarar insolvência em 2025, segundo dados do Escritório Federal de Estatística. O número corresponde a 0,69% das empresas alemãs, e representa uma alta de 10,3% em relação ao ano anterior. A última vez que a Alemanha teve tantas empresas insolventes foi em 2014.

"O ano de 2025 foi excepcionalmente fraco para a economia alemã", disse o analista-chefe da Câmara Alemã de Indústria e Comércio (DIHK), Volker Treier. "Em média, na Alemanha uma empresa teve de declarar insolvência a cada 20 minutos."

Ainda assim, a onda de insolvência parece ter desacelerado, já que nos anos de 2023 e 2024 o crescimento havia sido de 20%. E está longe do patamar da crise financeira, com quase 32,7 mil empresas registradas insolventes em 2009.

Também o volume de dívidas é menor: cerca de 47,9 bilhões de euros, menos que os 58,1 milhões de euros registrados em 2024. Empresas dos ramos de transporte, armazenamento, hospitalidade e construção foram as mais afetadas.

Endividamento também aumenta entre consumidores

O endividamento também aumentou entre pessoas físicas. Em 2025, segundo dados oficiais do governo, 77,2 mil consumidores foram declarados insolventes – aumento de 8,4% em relação ao ano anterior.

Guerra no Oriente Médio deixa economistas apreensivos

A situação, segundo Treier, pode piorar com a guerra no Oriente Médio. "O aumento dos preços de energia e o medo de novas perturbações nas cadeias de abastecimento colocam muitas empresas sob pressão adicional."

O conflito também preocupa a Federação Nacional dos Bancos Populares e Cooperativos Alemães (BVR). No melhor cenário, a entidade projeta que as insolvências empresariais poderiam cair 3,7%, para 23,1 mil casos, e as de consumidores para 76,5 mil, recuo de apenas 1%.

Isso, contudo, depende de uma queda rápida dos preços de energia. A empresa de análise de crédito Crif apontou melhora no humor das empresas, mas disse que a situação permanece tensa, especialmente com a guerra no Irã.

"Muitos sinais positivos dos últimos meses perdem força, porque os custos de energia e de suprimentos continuam aumentando para diversos setores", disse Frank Schlein, diretor-geral da Crif na Alemanha.

Segundo ele, cerca de 10% das empresas alemãs já estão em risco de insolvência.

ra (dpa, ots)