O narcotraficante uruguaio Sebastián Marset, de 34 anos, apontado como um dos criminosos mais procurados do mundo, foi preso durante uma operação em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Considerado o líder do Primeiro Cartel Uruguaio (PCU), Marset era alvo de uma intensa caçada internacional e figurava na lista de prioridades das autoridades dos Estados Unidos. Após a captura, o suspeito foi transferido para a capital, La Paz, de onde deve seguir para extradição aos Estados Unidos.
A prisão encerra um período de monitoramento detalhado pelas forças de segurança. Segundo informações, o governo americano oferecia uma recompensa de 2 milhões de dólares por informações que levassem ao paradeiro do traficante.
Marset é acusado de comandar uma vasta rede internacional de tráfico de drogas, responsável pelo envio de grandes carregamentos de cocaína para o continente europeu, além de responder por crimes de lavagem de dinheiro em solo americano.
Disfarce no futebol e ligações com o PCC
A trajetória de Sebastián Marset na Bolívia, onde vivia desde 2022, inclui estratégias inusitadas para ocultar suas atividades ilícitas. O narcotraficante chegou a adquirir um time de futebol da segunda divisão boliviana, o Los Leones, utilizando a estrutura do clube para lavagem de dinheiro. Além de atuar como dirigente, Marset jogava como atacante na própria equipe. Para viabilizar sua presença em campo sem levantar suspeitas imediatas, ele falsificou documentos e se passou por cidadão brasileiro, obtendo inclusive um registro na Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Foi justamente a partir de sua exposição nos gramados que as autoridades conseguiram identificá-lo e iniciar um monitoramento rigoroso de seus passos. Além dos crimes financeiros e de tráfico, Marset carrega um histórico de extrema violência. Ele é acusado de ordenar a execução de integrantes de facções rivais e de autoridades. Entre os crimes atribuídos a ele, destaca-se o assassinato do promotor paraguaio Marcelo Pecci, morto a tiros na Colômbia enquanto passava a lua de mel com a esposa em uma praia.
As investigações também apontam que Marset mantinha uma parceria estratégica com o Primeiro Comando da Capital (PCC) para coordenar a entrada e o escoamento de entorpecentes no Brasil. A região de Santa Cruz de la Sierra, onde ocorreu a prisão, é monitorada de perto por polícias internacionais, uma vez que o local serve de refúgio para lideranças da facção brasileira. Em maio de 2025, Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta, um dos chefes do PCC, também foi capturado na mesma cidade.
As autoridades acreditam que outros nomes da cúpula da facção paulista, como André do Rap, Mijão, Forjado e Chacal, possam estar escondidos na mesma região boliviana. A prisão de Marset é vista como um golpe significativo na logística do tráfico transnacional que interliga a América do Sul à Europa e aos Estados Unidos.